Os
dias estão passando e, toda aquela sensação de estar seguro em meu mundo está
esvaindo em minhas mãos como areia. Vocês já tiveram essa sensação? De se
agarrarem no que acham que está certo, e se amedrontar, porque a mudança é um tsunami, e às vezes é cansativo sobreviver. É que acabei me acostumando com
esse novo mundo que criei, depois do último desastre. Mas, agora, me vejo
novamente me preparando para nadar, e, não sei se consegui aprender direito no
tempo que fiquei flutuando e me sentindo seguro.
Não
há tempo para metáforas no mundo em que pertencemos, e, a cada dia me sinto
mais distinto de tudo que pisa nessa terra. Às vezes mais paranoico a ponto de
deixar meu egoísmo criar teses como a que foi dita agora. Às vezes mais sensato
para não me misturar, para não fazer. Sei que minhas escolhas e desistências me
levaram até dias cruéis e incríveis. Ultimamente, mais incríveis que o normal. Porém,
ao acordar, já consigo avistar de longe toda a demolição que está por vir.
Você
deve estar se questionando agora se eu estaria pronto realmente para mais um
afogamento, percebendo minha aflição escondida em alguma palavra dita, como se fossem argumentos jogados ao vento. Não é
sobre isso que estou falando. As palavras que trago até sua mente para que você
possa traduzi-las carregam uma carga bem maior, a de mudança. É preciso, ou,
melhor dizendo, é impossível fugir da correnteza da mudança, a única capaz de fazer você nadar,
mergulhar, afundar. Morrer afogado durante o processo é inevitável. Renascer após o processo é inevitável.
Talvez
toda essa montanha de água destrutiva em meu mundo traga um outro melhor e
maior, como aconteceu quando esse apareceu. As probabilidades são grandes. Os riscos,
excitantes. Porém, a mudança sempre vem com um apanhado de coisas que formam o
seu entulho, sejam elas boas ou ruins. O medo é uma delas, porque sabemos que irá acontecer, e, gosto de não me sentir completamente preparado. Digamos que tudo isso seja então
um lamento prematuro do que será deixado, aquele processo todo de luto por algo
tão querido e inesquecível em nossas curtas vidas.
Não
sei quando será, a grande onda não deixará nenhum bilhete ou aviso dizendo que é a hora,
para que eu tenha tempo de me despedir de quem amo, pegar minhas coisas, sair
de casa e esperar sentir os pingos caindo do céu, o choque da água confrontando meu corpo, desprendendo e jogando para longe aquilo que um dia fora meu mundo. Ela simplesmente virá, e
ninguém irá saber. Pode ser até que, após você terminar a última linha desse
texto todo confuso, o tsunami já tenha passado, e eu esteja construindo uma
nova vida, sendo um novo eu.





