Você criou um monstro, e agora não quer mais cuidar. Alimentou-o como uma fórmula, e agora diz que não há mais segredos para reverter o que foi alcançado sozinho, pois foi egoísta demais para pedir ajuda, e o feito, desfeito já não pode mais. Lembro como se fosse hoje das coisas que disse, daquelas que eu havia dito sobre mim, e você disse ser suas verdades. Sobre o tudo e nada que existia dentro de mim. Sobre minhas marcas, que na verdade são troféus tidos pela minha vida. Sobre minha loucura, que nunca foi loucura assim. Trata-se de algo maior que si mesmo, que enche seus olhos de promessas que mais parecem surpresas, e uma pior que a outra, não consegue perceber? Nada disso tem a ver comigo, por mais que você tentasse me colocar no jogo para poupar sua vez de jogar. E nada que tentara se espelhar em mim, como um ladrão de sombras, causou algum efeito, pois o nada me protege, e faço de tudo para ser quem sou.
O jogo acabou há várias partidas atrás, até porque um jogo que se joga um contra um, e esse outro só existe em sua imaginação, o desfecho já é previsível. Eu jogava assim quando menor era, porque minha mãe sempre teve medo que pudessem fazer comigo o que fizeram com ela. Tudo que acontece com você eu já vivi, e não é por isso que eu tenho obrigação de ficar preso a uma farsa que você mesmo provocou.
Não se trata de alguém, afinal das contas. Aconteceu tanta coisa, que mesmo depois de meses, fico confuso em tentar colocar em palavras sentimentos que achei nunca precisar sentir para voltar a vida. Depois de muito tempo, eu voltei, e percebi que na verdade nunca havia ido de fato. Como sempre, voltei por mim, pois você não é o único egoísta aqui, mas a questão é a gravidade e não o sentimento em si. Como nunca, acabei voltando sozinho também, mas sei que logo estarei lotado novamente, e espero que dessa vez eu não me perca no caminho. Como sempre, precisei falar dos outros, porém espero que dessa vez seja a última. Pois, pelo seu equívoco no meio do trajeto, tive que mudar toda a história para te deixar feliz, e o que recebi foi um nada falso, pois isso não era seu também.
Pus-me de luto diversas vezes por achar que havia morrido alguma parte de mim. Fui obrigado a ficar de luto por três vezes, para sentir a ida de pessoas que levaram consigo um pedaço de mim e que serão eternamente mantidas em meu coração, outra coisa que pensei estar morta, mas que na verdade você havia usado para avivar o Frankstein do Paraguai que criou, que distorce a justiça apenas para o seu agrado, pois ele não conhece o amor, não sabe o que é família e transforma o caos da vida em um grande nada sem sentido algum.
Ainda me perco em meio a tantos pensamentos, porém, esse relatório serve para despejar tudo que estava cravado em minha pele até hoje. Não serve para fazer sentido, e sim para retirar todo o veneno que foi jogado no meu corpo reluzente, com o objetivo de tornar pedras as flores que nasciam a cada abrir de olhos. Nada morrerá dentro de mim, e todo esse veneno e cheiro de morte serviu para que alargador um pouco minha saliva, nada mais que isso. Agora, enquanto cuspo cada palavra de mim, o conta-gotas vai se esgotando, e, diferente de você, me certifico de que ninguém mais seja infectado e sinta toda a dor que senti por esses dias.
Me sinto mais leve a cada derramar. Flutuo cada vez para mais longe, tentando mostrar para você que não consegue mudar, que sempre tentei te alertar: a mudança é a chave de tudo. Já vivi tudo que presencia, pois já vivi tudo que fora mostrado a mim. Nunca sou o mesmo, por isso, caso tente me derrubar (mesmo sabendo que está jogando sozinho, pois sei que é cabeça-dura ao extremo para pensar em outra alternativa), nunca saberá quem sou, nem eu mesmo sei, e estou de acordo com isso também.
Passei muito tempo tentando me aceitar e achar uma explicação para tudo que estava acontecendo, quando ambos éramos personagens de uma história que você não entendia. Foi uma longa viagem, uma longa história, mas, o mais básico você nunca conseguiu entender, ou se negava entender por não ser o que queria. Cada vez que você dizia que a história era sobre a sua vida, eu gritava dentro de mim o contrário. Isso nunca fez sentido, e o maior ato de humanidade de ambos foi esse dilema. Você foi egoísta demais para entender que não passava de um personagem secundário, e se não gostava do enredo, era só fazer outra com suas próprias palavras, e eu fui tolo demais para tentar alimentar seu sonho de achar que havia algum significado além de ser aquilo que eu estava vivendo. Não há o que quebrar, além de todas as palavras que escrevi daquela longa história, que agora me nego a continuar, pois voce tirou todo o encanto que havia dentro dela alimentando o seu monstro.
Adivinha quem ele é?
Dessa vez eu deixo você ser o máximo egoísta e egocêntrico que conseguir ser, e saiba que falta pouco do para ele abrir os olhos e começar a falar, e temo que estará sozinho, como eu fiquei por esses dias, mas não mais.
Enquanto você estiver apenas com sua sombra e a maldição que insiste em pensa que existe, eu estarei aqui, escrevendo com minhas flores, árvores, rios, campos, pessoas, pássaros, ouros e diamantes, estrelas e infinitos que moram mim. Como se tudo e nada fizesse parte de um corpo só, e o anúncio de uma nova viagem está por vir, e as malas já estão prontas há meses.
Olha!
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