“Eu quero cantarolar com os pássaros em uma segunda de
manhã ao caminho do trabalho, por ter recebido a mensagem mais simples e
sincera, de alguém que, poderia acordar e dormir na mesma cama que a minha por
anos, mas ainda veria uma menina que tem medos, e precisa segurar-se em credos
próprios. Uma tola, prestes a cair em qualquer palavra doce que pudesse ler.
Quero padres, daminhas de honra e minha mãe chorando ao meu lado no altar, por
mais que eu nunca tenha visto minha mãe chorar algum dia, e, se existisse algum
Deus, eu estaria do lado oposto dele. Quero alguém capaz de amar esse meu lado
oposto da Glória de Jesus também.”
Foi
isso que escrevi no meu diário. Dezesseis anos, jurando que sabia o que era
amor e ser amada. Acho que todos já fomos ou somos assim. Em todos existe uma
criança interna que grita por atenção, por tudo de mais brega e egoísta que
possa parecer, porque crianças não percebem dicotomias. E, eu, logo eu, Valéria
Cristina, não sou nenhuma alienígena para sair da estatística cortante, da
inevitável constatação, da verdade absoluta. Temos que aprender a lidar com
nossas próprias ilusões. Temos que conviver com essas crianças internas, que
eternamente irão deixar nossa mente em conflito.
Quando
fico pensando bastante sobre o que espero de alguém, ou de mim mesma quando estou com alguém, viajo, vou para lugares que
já fui com alguns pequenos casos, lembro-me de amores que, se dependessem de
mim, ainda existiriam dentro do meu coração. É sobre isso que quero falar com
você que está lendo silenciosamente em sua cabecinha vazia agora. Como todo clichê
chiclete e superficial pode encaixar na
sua vida quando você está feliz ou amando, os clichês negativos também servem
como uma luva quando esse tipo de pensamento permeia em seus sonhos. Não
depende só de você. Quando um não quer, dois não brigam. Quando um só quer, esse
fica pensando em hipóteses e teorias malucas, e assim permanece por horas,
dias.
Para
constatar aquilo que minha mente sussurra, às vezes crio experiências malucas e
invisíveis, e, gostaria de usar aqui para um pedido de desculpas. Não digo que
são experiências de fato, porque não são intencionais. Como nas vezes que
aguardo ouvir um eu te amo espontâneo, aquele que aparece de repente. Ele existe,
porque já vi tantos outros o receberem. Nunca cheguei a um limite, sempre fui a
primeira a dizer, antes que minha angústia me asfixiasse. Ou, como o título do
que está lendo lhe traz, as vezes que esperei por alguém capaz de me chamar de
Amor. Todas em vão, sou um fracasso como uma cientista.
É
preciso falar de amor, falar do amor, da forma que ele deveria ser dado à
todos. Amor é quando alguém decide não ir embora e continuar na onde o
companheiro está, mesmo que tenha a melhor oportunidade de uma pessoa, porém,
não duas, e isso não a deixa infeliz. Amor é quando percebo um casal se
tratando cordialmente, mesmo quando nitidamente estão frágeis, tristes um com o
outro. Amor é um sentimento acima, mas não arbitrário. Amor é o que busco na
vida, e, não deveria ser tão difícil assim de ter. Todos têm. E, eu espero que
no final desse texto eu consiga convencer pelo menos uma pessoa do valor e da
força de dar e receber o amor.
Eu
tenho um certo problema com titulações, acho que elas precisam existir. Tenho
necessidade de saber o que sou para alguém, são pequenos egoísmos que quis
manter em minha essência. Na minha cabeça, desde menina, eu queria alguém que
pudesse me chamar de amor. Antes, um namoradinho do colegial, agora, estou em
um nível de desespero que se o porteiro do meu prédio me chamar de amor, eu
choro e digo que aceito.
Os
amores vieram, eu que nunca fui. José dizia que ficaria estranho se me chamasse
de amor, pois era como ele chamava sua esposa. Antônio tinha trauma de seus
relacionamentos antigos, e não queria rotular o que tínhamos, nem a mim. Pietro
foi mais longe, dizia que amor era um sentimento muito grandioso e que levava
tempo, um tempo que os seis meses que moramos juntos no mesmo teto não o fez
perceber que às vezes ele me amava mais do que eu mesma. Teve até um tempo que
me aventurei em novos tipos de relacionamentos, mas, como eu nunca fui a
primeira a existir naquela relação ou situação, essa coisa de amor não cabia em
mim.
O
tempo passa e, às vezes acordo triste, fico em silêncio o resto do dia, e as
pessoas à minha volta não conseguem entender que eu só busco o mínimo, pois
nunca o tive. Sou uma anormal por isso? Talvez eu tenha enlouquecido. Eu sei
que já fui amada, já me senti assim, muitas e muitas vezes. O problema é que,
amor é algo que precisamos constantemente entender nas entrelinhas, dentro de
nós mesmos? Por que nos filmes e em todo lugar que eu vejo, as pessoas não tem
dificuldade em verbalizar o que sentem, e, comigo é sempre uma linha em branco,
sempre com sacrifícios?
Pode
ser brega, em um carro de som em frente à padaria que vou buscar pão todo dia
que estou de ressaca. Pode ser em um jantar românticos depois de comemorarmos
mais um ano juntos. Pode ser ao acordar e ver que já preparei o café enquanto
dormia. Pode ser em qualquer ocasião, não tenho mais idade para pensar em
cavalos brancos ou em padrões de amor, eu só quero tê-lo.
Dizer
“só” é uma falácia, perto de toda confusão que fica em mim quando sinto sua
ausência.

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