Tenho ânsia, falta-me forças. Minhas mãos tremem. Trêmulas, não sabem dizer o porquê, muito menos minha boca, com a ânsia de jogar fora algo que não sei bem o que é, ando engolindo tanto porcaria por aí que me dão, que já não sei o que irei digerir, além de palavras tortas, escritas ou faladas.
Trêmulo, já não sei se devo escrever ou falar mais. Ato minhas mãos, para que o tremor cesse por um momento, mas meus lábios começam a sentir o terremoto que pairava pleno na região central do meu corpo. Já não sei que forma descrever minhas emoções ou reações fisiológicas, e, diferente do que muitos pensam, não há defesa, não há ataques, há apenas um eu tentando não explodir com esse tic-tac que percorre meu corpo.
Mesmo trêmulos, meus lábios se esforçam para movimentar. Peço Socorro. Mãe, pode me ajudar? Respira fundo, meu filho, ela diz. Foi algo que você comeu, não há o que temer. A vida é assim, mas, para mim é tudo tão novo e ruim. Viver é assim? O silêncio invade o barulho, pois a pergunta fora feita de mim para mim, pois meus lábios se ataram, assim como minhas mãos, pois não aguentaram toda aquela pressão. Você ouviste, filho meu, ela diz. Toma água, água resolve tudo. Cuidado com o mundo. Fique com Deus.
E, ao desligar o telefone, prender minhas mãos, morder meus lábios e ser entregue à uma entidade que nem eu mesmo sei como é, meu tremor volta à suas raízes. Meu coração dispara, é hora de parar. Foi algo que comi, minha mãe disse. Foram as palavras que ouvi, ou a caridade que recebi? Fostes a comida comprada, ou o comprar da comida? Foram as frases mal entendidas, ou, por eu entender demais as frases, não quero mais dizê-las? Foram os amigos que abracei, ou aqueles que esqueci de amigo ser? Fora algo que comi, mas isso sabido era, eu aceito tudo que está em volta, não há desperdícios. Respiro fundo, como minha mãe dissera, e, ao sentir o oxigênio entrando em meus pulmões, consigo entender porque meu coração ainda pulsa acelerado. De coração aberto, aceito os ares e pesares de todas as vidas. Bebo água, água cura tudo, de água tudo é.
Minha ânsia permanece, e continuarei tremendo pela vida, até sentir a confiança de me jogar por inteiro e desfazer meus mistérios. Quando eu finalmente não ter mãos trêmulas, elas se cansarão de tantas palavras que estão guardadas aqui. Quando meus lábios forem soltos, não haverá ouvidos nesse mundo capazes de ouvir o que tenho a dizer. Quando meu coração aliviar, será que ainda poderei sentir? Entregado a Deus fui, e, talvez ele saiba, preparado ainda não estou, por isso tremo, me calo e quase morro todos os dias, engolindo um vômito que não é meu, pois não há lugar em que eu possa enfiar o dedo guela à baixo sem ser julgado de louco, doente, maldoso ou ruim. Mas, mesmo assim espero, ansioso e ansiado, tremendo cada vez mais, por uma vida mais devagar e leve que disseram que existe.
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