Você me emprestou seu útero, mas não nasci de você. Deu de si, seu alimento por anos, mas não foi dele que cresci. Ensinou o que é certo e errado, andar, falar seu nome, mas minhas palavras não se parecem com as suas. Seguir seus passos por tanto tempo, mas não eram os meus. Tentei me encontrar em seus braços, mas não era meu corpo que eles queriam abraçar. Não era minha alma que você dizia amar, e eu, por amar a sua, fiz de tudo para mudar, seguir, andar, falar, pensar como você.
Escondi de mim tudo de mais puro por medo de te assustar. Dentro de mim viviam tantas cores, mas todas se juntaram em um enorme negro, uma escuridão que engula todo aquele desejo pecaminoso herdado de Levítico. Existia tanto amor para você enxergar, mas aquelas quatro linhas de punição te impossibilitaram de ver, que desde pequeno, eu estava ali, e não aquele que você pensou ter. Havia felicidade no meio disso tudo, mas não era genuína, eu vivia um personagem de algo que não tive escolha, como também não havia escolhido ser, desde que fui expelido de si, e para nunca mais pertencer a algo que não me representa. Agora percebo isso.
Descobri por mim mesmo que não precisaria ser algo que não me completava para fazer outro alguém feliz. Doce maldição do auto-conhecimento, foi assim que tudo começou. Pensei ter encontrado a paz, mas na verdade o que encontrei foi apenas o início dos meus problemas. Ser eu mesmo não me completava também. Saber o que sou nunca foi a resposta de nada, muito menos para o que eu queria ser, pois fazer você compreender isso era impossível. Falhar em te transmitir meu verdadeiro amor me fazia Falhar em me transmitir amor, e, mesmo me conhecendo, nunca me amei, nem você.
Posso ter feito várias coisas erradas, mas nunca tive dúvida das minhas vidas, principalmente do fim da primeira, que acabou no dia em que desisti de tentar me colocar na sua. Talvez algum dia eu consiga encontrar algum motivo para realmente ser completo, por enquanto passo existindo. Indo de casa em casa tentando encontrar um lar, que nunca foi me dado. Procurando tanto um Deus para depositar toda a minha raiva e justificar todas as mortes daqueles poderiam ser eu, por sorte ou azar. Sobrevivendo sem saber o porquê. Tendo o que possuo, e não o que quero, mas sendo eu, mesmo quando morto. Porque, mesmo que eu vá viver e morrer internamente inúmeras vezes, quando eu for descansar no seu inferno, ou no meu paraíso todo cor de rosa, gostaria que soubesse que a primeira vez que soube como é morrer por dentro foi por suas mãos, sua boca, seu coração, seu Deus, tão grande, que não deixou nenhum espaço para mim em você. Eu já morri, e você foi a assassina, obrigado.
Obrigado por matar em mim tudo aquilo que eu nunca fui.
Escondi de mim tudo de mais puro por medo de te assustar. Dentro de mim viviam tantas cores, mas todas se juntaram em um enorme negro, uma escuridão que engula todo aquele desejo pecaminoso herdado de Levítico. Existia tanto amor para você enxergar, mas aquelas quatro linhas de punição te impossibilitaram de ver, que desde pequeno, eu estava ali, e não aquele que você pensou ter. Havia felicidade no meio disso tudo, mas não era genuína, eu vivia um personagem de algo que não tive escolha, como também não havia escolhido ser, desde que fui expelido de si, e para nunca mais pertencer a algo que não me representa. Agora percebo isso.
Descobri por mim mesmo que não precisaria ser algo que não me completava para fazer outro alguém feliz. Doce maldição do auto-conhecimento, foi assim que tudo começou. Pensei ter encontrado a paz, mas na verdade o que encontrei foi apenas o início dos meus problemas. Ser eu mesmo não me completava também. Saber o que sou nunca foi a resposta de nada, muito menos para o que eu queria ser, pois fazer você compreender isso era impossível. Falhar em te transmitir meu verdadeiro amor me fazia Falhar em me transmitir amor, e, mesmo me conhecendo, nunca me amei, nem você.
Posso ter feito várias coisas erradas, mas nunca tive dúvida das minhas vidas, principalmente do fim da primeira, que acabou no dia em que desisti de tentar me colocar na sua. Talvez algum dia eu consiga encontrar algum motivo para realmente ser completo, por enquanto passo existindo. Indo de casa em casa tentando encontrar um lar, que nunca foi me dado. Procurando tanto um Deus para depositar toda a minha raiva e justificar todas as mortes daqueles poderiam ser eu, por sorte ou azar. Sobrevivendo sem saber o porquê. Tendo o que possuo, e não o que quero, mas sendo eu, mesmo quando morto. Porque, mesmo que eu vá viver e morrer internamente inúmeras vezes, quando eu for descansar no seu inferno, ou no meu paraíso todo cor de rosa, gostaria que soubesse que a primeira vez que soube como é morrer por dentro foi por suas mãos, sua boca, seu coração, seu Deus, tão grande, que não deixou nenhum espaço para mim em você. Eu já morri, e você foi a assassina, obrigado.
Obrigado por matar em mim tudo aquilo que eu nunca fui.