Supro minha fome com sua voz, sinto suas palavras em meu corpo como roupas que servem só em mim. Trato de tentar me comparar à sua presença, não gosto de me sentir tão inferior ao seu lado. Tolo, tento encontrar algum assunto que o satisfaça. Duas ou três palavras trocadas, e o silêncio em minha boca se torna presente mais uma vez. Gosto de te ouvir, gosto de perceber o quão pequeno sou perto de tudo que o representa.
Com suas asas grandes
Clandestino, pouso em um lugar que não me pertence
Torço para que diga-me algum segredo
E assim, ser leve para contar-te o maior deles
Nada na natureza é tão singelo quanto isso que temos, sem ter. Pareço viver nos tempos de Dionísio tentando expressar a beleza de suas musas, que o esperam descer do Olimpo, crentes que, uma hora ou outra, serão dignas de sua imagem. Não sou Deus, sou um andante em busca de uma parte sua em outro, pois você não desce. Humano, sei que de cima observa sadicamente minha procura, e, quando consigo encontrar, mostra-me que não. Nunca serei completo longe de ti. Nunca seremos nós. Suas migalhas não me preenchem, mas nem todo ser na terra tens sua divindade.
As horas passam e Cícero faz sentido mais uma vez. Daria minha vida por uma tarde discutindo Caetano em seu colo, ou talvez pensando em Clarice. Alegria seria ver seu acordar, mas tão distante estamos. As conversas são só conversas. As conversas são mais que conversas, são morfinas combatendo o câncer diário. Minha cura está em você, como minha condenação. Ser feliz com outro é apenas uma ilusão que tento alimentar a cada dia, mas, quando apareces, sinto o peso da verdade, e me afasto de tudo que não lhe parece. Quando somos, sofro, espero, até oro. Bobo, me vício por alguém que não toco, mas me toca o peito, a alma.
Sinto por você algo indescritível
É estranho dizer, pelo pouco que conheço de ti
Tenho medo de me aprofundar em suas certezas
E partir se tornar impossível
Mas enquanto isso, vai embora não
Fica pra mais uma estrofe
Nem que seja em uma rima pobre
recito-te à noite
Porque você, assim
Pra mim
É poesia.
Com suas asas grandes
Clandestino, pouso em um lugar que não me pertence
Torço para que diga-me algum segredo
E assim, ser leve para contar-te o maior deles
Nada na natureza é tão singelo quanto isso que temos, sem ter. Pareço viver nos tempos de Dionísio tentando expressar a beleza de suas musas, que o esperam descer do Olimpo, crentes que, uma hora ou outra, serão dignas de sua imagem. Não sou Deus, sou um andante em busca de uma parte sua em outro, pois você não desce. Humano, sei que de cima observa sadicamente minha procura, e, quando consigo encontrar, mostra-me que não. Nunca serei completo longe de ti. Nunca seremos nós. Suas migalhas não me preenchem, mas nem todo ser na terra tens sua divindade.
As horas passam e Cícero faz sentido mais uma vez. Daria minha vida por uma tarde discutindo Caetano em seu colo, ou talvez pensando em Clarice. Alegria seria ver seu acordar, mas tão distante estamos. As conversas são só conversas. As conversas são mais que conversas, são morfinas combatendo o câncer diário. Minha cura está em você, como minha condenação. Ser feliz com outro é apenas uma ilusão que tento alimentar a cada dia, mas, quando apareces, sinto o peso da verdade, e me afasto de tudo que não lhe parece. Quando somos, sofro, espero, até oro. Bobo, me vício por alguém que não toco, mas me toca o peito, a alma.
Sinto por você algo indescritível
É estranho dizer, pelo pouco que conheço de ti
Tenho medo de me aprofundar em suas certezas
E partir se tornar impossível
Mas enquanto isso, vai embora não
Fica pra mais uma estrofe
Nem que seja em uma rima pobre
recito-te à noite
Porque você, assim
Pra mim
É poesia.