Preso à algo líquido, sinto meu corpo ser levado por um caminho que já conheço, e tenho medo. Seus dedos encurralam minhas dúvidas, fazendo com que todas as perguntas que existiam com os outros não apareçam tão facilmente, mas estão ali, escondidas em seus abraços fortes. Você usa da força para proteger aquilo que tu mesmo proporciona, mesmo não sabendo. Eu interpreto um papel mais frágil do que o normal, para fazer-te apaixonar pela fraqueza aparente que tanto procuras. Quer Ser rei, dono, mas livre ao mesmo tempo, temo que seja torturante, anseio pela tortura, atado por seus beijos.
Ofegante, peço por um pouco mais do pouco que me dá. Travo lutas incansável para não procurar-te mais que o necessário. Sinto que o animal que habita em mim sempre cai em suas armadilhas, por mais nítidas que elas sejam. Capaz que, sedento por masoquismo, ele mesmo se prenda em suas garras para ver até onde consegue sangrar sem morrer. Estancado, sorri, regozija, pede mais. E você, caçador, me seduz a cada desprezo. Cada minuto sem resposta aumenta mais meu desejo de ser desejado pelos seus instintos mais sujos. Gosto de despertar aquilo que é mais indecente na suavidade e etiqueta existente nessa sua face de bom moço.
Sei que vive várias vidas, e a maioria de seus personagens são bondosos, mas me sinto importante por mostrar seu vilão todas as noites que passamos juntos. Resistente, aguento calado todas as cenas em que sou álibi de suas artimanhas indecentes, para que você possa entender que sou especial também, e que seu ato não acabe no gozo, e que as cochilhas não fechem comigo sozinho na rua, me perguntando se no dia seguinte haverá uma segunda sessão.
Preso à algo líquido, navego por meio da cama molhada. Preso à algo líquido, me afundo em seus desejos, me iludindo, pois sei que eles não são por mim, e sim por você mesmo. Preso à algo líquido, luto contra à maré, para mostrar que sou merecedor de toda sua grandeza, por mais que pequeno, por mais que não saiba nadar. Preso à algo líquido, afogo, para que você possa me voltar a vida. Preso à algo líquido, anseio por mais água, por mais você nessa imensidão que me transformou, em algo que nunca senti antes.
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