Alcião
Filho dos céus e da terra
Graça e maldição.
Mudo, trata sentimentos com leveza, pois sabe que se der mais peso do que possui, pode cair no chão antes da hora, por não aguentar seu próprio mundo. traz em suas costas uma bagagem incapaz de levar em qualquer outra mala. É gracioso, pois assim contando ou tentando explicar, não há nada que possa simbolizar o peso do ser passado, desde a herança de suas ninfas, ainda que o digam "não é verdade!" E gritem para todos os ventos. Alcião, ele sabe da verdade, mas guarda para si. Voa, voa alto como se todo o peso mencionado antes não existisse, voa leve, como se o que houvesse no final fosse apenas felicidade. Cai, diante ao mar, aponta sempre para o inalcançável, e nunca saberemos se ele chega uma dia a alcançar, ou se então na morte que se cumpre todo legado. Não é sobre morte de algo que talvez isso seja uma história espelhada de tempos pouco próximos, mas é por celebrar a vida, e saber como ela pode ser real ou não, ao mesmo tempo, na mesma vida. Mas, daí por diante tem-se várias, como máscaras que paga-se para saber ou ter o presente, como se fosse a última carta sempre. E o Alcião joga todas suas fichas, aposta nele e nos outros também, pois acredita em tudo, e tudo pode acontecer com ele, e, mesmo se a hora do nada chegar, o resultado é tido com gratidão em tributo ao passado vivido. O Alcião é sozinho, azul, anilando a costa. Por viver, sobrevive, mesmo que seja apenas nas palavras contadas por alguém que admira a coragem, mas canta baixo dentro da sua gaiola, vendo há quilômetros e metros o seu voar, e comprovando que sim, é lindo a liberdade de ser quem é, e mesmo você não desvendando quem foi, mesmo assim ele existe em você, pois o que seria mais que Alcião senão sentir pelo outro? Às vezes de mais.
Às vezes de menos.