Quem é? Te pergunto duas, três vezes. Quem é? Quem você é? Pois assim posso entender, me mergulhar e dizer, esse é você. O que queres? Nada sei além de mim, nada me vem à cabeça além de dúvidas. Mas o tempo corre, ele corre, mas você não foge, não agora, talvez queira dessa vez, talvez queira depois de ser, talvez mais depois do que antes irá querer, depois de outros tocar, depois do divino perder, e perceber que ele você irá reencontrar, perdido em tantos por quês tatuados em mim, e enfim minha pele sentir, e dessa vez eu possa ouvir: é amor, dessa vez é amor. E a felicidade possa descansar, pois então nascera, pois de morte basta toda a vida até aqui.
Quem é? Por quê queres abrir todo esse mundaréu de breu que demorou encontrar um freixo de luz para se abrir, ele é novo, ele é puro, e posso finalmente sentir como é respirar. Você conseguiu mostrar que a lua, independente de sua forma, é uma só, e foi nela que encontrei o freixo para abrir meu mundo, e é por essa luz que você caminha, na mesma velocidade, até mim. É comigo, que você que não sei quem é, irá caminhar? É nessa família que então poderei profanar, liberar as ninfas do meu secreto altar, fazer com que todos os deuses possam invejar esse encontro inesperado, escrito, falado, sonhado, que virá?
Muitos pontos, poucas linhas, e isso me alegra. Pensar que não é só de tristezas que nasce o meu querer, e que posso errar, duas, três vezes, concordâncias podem faltar, mas, que não preciso ser cego, surdo, mudo, para sentir o seu vir até mim. Não preciso perder meus sentidos para ganhar algo novo, não preciso ser outro para encontrar o que não tinha, e, que na verdade, pouco me importa quem és, quero saber o que serei, depois de tua boca tocar, saber se melhor ou pior será, se agora quem irá correr serei eu, se no final das contas eu nunca me conheci, e, agora, depois, no tempo, nascerei e viverei a cada pulsar seu dentro do meu corpo, a cada suor, libido, suspiro ofegante que há de soltar, em meio a seus abraços, de braços que não serão mais fortes, pois sua força será apenas mais algo do que se tornou único.
Quem é?