domingo, 1 de julho de 2018

Obsesso

Faço convites
Nenhuma resposta
Penso em algo que possa mudar
Essa intermitavel proposta
Nenhum verso chulo
Com rimas baratas
Faço convites
Para uma vida menos cara
Pode ser insegurança
Talvez fraqueza
Medo de ter visto
Alguém com tanta destreza
Subo
Desço
Viro esquinas e volto caminhos
Para mostrar que nem sempre pode haver
Alguém com os mesmos destinos
Sei que é difícil
Também já vivi dessa vida
Mas nada me faz pensar em outra forma
Para encontrar uma saída
Somos iguais
Diferentes, semelhantes, temidos
Temíveis
Porém, em cada gole que tomo
Esse veneno se torna menos letavel
A vida, menos amável
E meu desejo continua um só
Prisioneiros todos somos, meu querido
Não vê que de carne estamos envolvidos?
Caídos em um mundo que está em pedaços
Também caminhamos a procura de algo
Sem nome
Sem forma
Mas sabemos que existe
Existe e sentimos
Mesmo sem descrever
As vezes vemos
Mas de longe, a luz pode ser dúbia
De perto
Cego ficamos
Mas não quero te cegar
Trago clareza
Pois da minha pureza
Perdi tentando mostrar a outros
Passo dias só pensando
Perco no tempo e no dia que estou
Tentando encontrar uma solução
Explicação
Para a falta de coração
Que sentimos ter
Seria fome?
Falta de algo que nutre
Seria a soberba
Que esconde o tudo
Faz-nos sentir o vazio
E assim procurarmos
Seja em corpos
Papéis
Palavras
O medo que preenche todo esse vazio
Desenhado de dragões
Flores e caveiras
Que fechou por completo
O que deveria estar repleto
Daquilo que não sabemos o nome
De nada sou
Tudo possuo
E por ser desse jeito, respeito sua distância
E por ser desse jeito, ansio esse encontro
Deixo tudo no pensamento
Quase tudo fica pronto
Só falta aceitar o convite
De conhecer a si mesmo
De uma forma que nunca vira antes
Sinto lhe informar
Mas a água cura tudo
Só não limpa o que temos por dentro
Isso só o tempo pode levar
Com o vento batendo em seu peito
Chegando, de alguma forma
Até meus ouvidos
Gritando
Surtando
Deixe a paranóia de lado
Rodopie com sua obsessão
Controle-a
Seje-a
E, deixe-me lhe contar mais um segredo
Coloque na conta, que eu pago
Sabe o assobio que o vento lhe traz?
Sou eu tentando
De alguma forma te buscar.
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