Talvez essa seja a melhor hora para voltar.
Mesmo não existindo algo que me faça querer voltar. Nem mesmo a autoestima que
construí durante os dias foi capaz de me convencer que eu voltaria. E, se fosse
possível (agora vejo que é), como poderia? Já não sou aquele. Antes, precisava
voltar, e agora? Estava certo de que
não. A solidão me acompanhou por tantos dias e noites que aprendi que ela não é
motivo para que eu volte. Estar feliz, muito menos. Demorei muitas fases da
vida para conseguir aprender que às vezes não vale a pena voltar. Se for para
reviver traumas que não deveriam ter acontecido. Se for para lembrar de algo
que não deveria ter vivido. Se for para lembrar que se viveu tanto, e, o que
restou do sentimento foi somente um rebobinar de memórias. Foi aí que percebi.
Passei tanto tempo tentando não voltar, mas tudo que fazia não passava de uma
repetição de sofrimentos, de uma negação da minha capacidade de voltar. E eu
cresci, tanto que não conheço mais aquele eu que gostava de voltar, que
confundia voltar com repetir. E voltar não é o mesmo que repetir, demorei para entender. Foi então que acordei, e pensei: Talvez essa seja a melhor hora
para voltar. Vinte para as onze da noite, a hora em que voltei a escrever, e
voltarei quantas vezes forem necessárias, porque voltar pode ser novo. Porque
voltar pode ser renascer, e, no momento que estamos, renascer é preciso.
Volto;
Renasço;
Escrevo;
E anseio por quem irei encontrar.

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