sexta-feira, 17 de julho de 2020

O ICEBERG




Talvez essa seja a melhor hora para voltar. Mesmo não existindo algo que me faça querer voltar. Nem mesmo a autoestima que construí durante os dias foi capaz de me convencer que eu voltaria. E, se fosse possível (agora vejo que é), como poderia? Já não sou aquele. Antes, precisava voltar, e agora?  Estava certo de que não. A solidão me acompanhou por tantos dias e noites que aprendi que ela não é motivo para que eu volte. Estar feliz, muito menos. Demorei muitas fases da vida para conseguir aprender que às vezes não vale a pena voltar. Se for para reviver traumas que não deveriam ter acontecido. Se for para lembrar de algo que não deveria ter vivido. Se for para lembrar que se viveu tanto, e, o que restou do sentimento foi somente um rebobinar de memórias. Foi aí que percebi. Passei tanto tempo tentando não voltar, mas tudo que fazia não passava de uma repetição de sofrimentos, de uma negação da minha capacidade de voltar. E eu cresci, tanto que não conheço mais aquele eu que gostava de voltar, que confundia voltar com repetir. E voltar não é o mesmo que repetir, demorei para entender. Foi então que acordei, e pensei: Talvez essa seja a melhor hora para voltar. Vinte para as onze da noite, a hora em que voltei a escrever, e voltarei quantas vezes forem necessárias, porque voltar pode ser novo. Porque voltar pode ser renascer, e, no momento que estamos, renascer é preciso.
Volto;
Renasço;
Escrevo;
E anseio por quem irei encontrar.   


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