sexta-feira, 22 de abril de 2022

O TSUNAMI

 

Os dias estão passando e, toda aquela sensação de estar seguro em meu mundo está esvaindo em minhas mãos como areia. Vocês já tiveram essa sensação? De se agarrarem no que acham que está certo, e se amedrontar, porque a mudança é um tsunami, e às vezes é cansativo sobreviver. É que acabei me acostumando com esse novo mundo que criei, depois do último desastre. Mas, agora, me vejo novamente me preparando para nadar, e, não sei se consegui aprender direito no tempo que fiquei flutuando e me sentindo seguro.

Não há tempo para metáforas no mundo em que pertencemos, e, a cada dia me sinto mais distinto de tudo que pisa nessa terra. Às vezes mais paranoico a ponto de deixar meu egoísmo criar teses como a que foi dita agora. Às vezes mais sensato para não me misturar, para não fazer. Sei que minhas escolhas e desistências me levaram até dias cruéis e incríveis. Ultimamente, mais incríveis que o normal. Porém, ao acordar, já consigo avistar de longe toda a demolição que está por vir.

Você deve estar se questionando agora se eu estaria pronto realmente para mais um afogamento, percebendo minha aflição escondida em alguma palavra dita, como se fossem argumentos jogados ao  vento. Não é sobre isso que estou falando. As palavras que trago até sua mente para que você possa traduzi-las carregam uma carga bem maior, a de mudança. É preciso, ou, melhor dizendo, é impossível fugir da correnteza da mudança,  a única capaz de fazer você nadar, mergulhar, afundar. Morrer afogado durante o processo é inevitável. Renascer após o processo é inevitável.

Talvez toda essa montanha de água destrutiva em meu mundo traga um outro melhor e maior, como aconteceu quando esse apareceu. As probabilidades são grandes. Os riscos, excitantes. Porém, a mudança sempre vem com um apanhado de coisas que formam o seu entulho, sejam elas boas ou ruins. O medo é uma delas, porque sabemos que irá acontecer, e, gosto de não me sentir completamente preparado. Digamos que tudo isso seja então um lamento prematuro do que será deixado, aquele processo todo de luto por algo tão querido e inesquecível em nossas curtas vidas.

Não sei quando será, a grande onda não deixará nenhum bilhete ou aviso dizendo que é a hora, para que eu tenha tempo de me despedir de quem amo, pegar minhas coisas, sair de casa e esperar sentir os pingos caindo do céu, o choque da água confrontando meu corpo, desprendendo e jogando para longe aquilo que um dia fora meu mundo.  Ela simplesmente virá, e ninguém irá saber. Pode ser até que, após você terminar a última linha desse texto todo confuso, o tsunami já tenha passado, e eu  esteja construindo uma nova vida, sendo um novo eu. 

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