segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Leiuqeze

Tenho mãos fortes, consigo segurar o peso de seus medos. Sinto seu sofrimento como uma mãe que nada pode fazer ao seu filho doente. Sua febre é incuravel, os espasmos em seu corpo são decorrentes de anos tentando alcançar a brandura de uma vida plena, porém,  o que lhe é dado é tudo aquilo que nunca pediu. Procura, portanto, um meio de justificar seus acontecimentos imprevistos,  e parte para uma vida que não o pertence.
 
Queria ajudar você
Acabei me tornando você
Mas eu não tinha você para me ajudar
Me tornei você duas vezes
Você entende?

Eu explodi ontem
Foi lindo
Você juntou os pedaços
Abraçou
Sentiu
Foi embora
Voltou
Me deixou ir embora
Você me entende?
Então me explica
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sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Raiz seca

Talvez eu esteja com fome. Cansado de dar Passos largos, cair sobre buracos em meio ao breu, tentar levantar, cambaleando, febril, tentando alcançar cada degrau para enfim voltar a enxergar um pouco de luz, por fim, cegar-me com tantas verdades. Prefiro fingir que não cheguei a ciência de que nada mais poderá voltar aquele antigo eu que tanto julgava, desprezava e expulsava de mim mesmo. Prefiro tentar mostrar que a realidade é que as pessoas em minha volta não me matam todos os dias, diferentes pessoas, distintas mortes, e um acordar no dia seguinte que mais parece o maior dos desafios que irei enfrentar, porém é a apenas o primeiro deles.

O que começo a sentir em minhas veias traz à minha mente más noticias. Queria poder continuar a interpretar um papel que escolhi para seguir em frente e aparentemente ter uma vida simples, mas fui esmagado pela rotina sufocante de ser homem. Sou homem ao dizer que não amo mais estar abraçado e saber que os arrepios sumiram. Sou homem quando tento admitir para mim mesmo que já era para ter acabado tudo, e voltar atrás depois de dois minutos de confissão interna.

Não sei se chego a ser homem quando desisto, mas tenho certeza de que meu maior ato de humanidade está na desistência. Desisto muito todos os dias, e o mais sofrível é ter de desistir novamente pelos mesmos motivos. Sou homem quando percebo que erro, e também me sinto mais homem quando tenho de omitir os erros e mentir. Vivo eternas mentiras que não consigo mais reverter. O fim chega mais próximo a cada nascer do sol, e, trêmulo,  travo uma disputa com a própria existência.  Tento cada vez mais chegar ao limite da sobrevivência,  e o mais intrigante é perceber que consigo alcançar e ainda respiro.

Nunca aprendi a nadar, mas sinto a sensação de relutar para que meus pulmões continuem funcionando. Já não consigo respirar com a mesma intensidade da minha adolescência,  e ter responsabilidades me afogam cada vez para mais fundo desse oceano. Mesmo sendo mamífero como as baleias, nunca consigo alcançar a superfície,  e cego, sem oxigênio,  permaneço nesse ambiente sem motivos. Guardo na memória os pequenos momentos que senti que poderia pertencer à algo que pudesse valer a pena, e esses pequenos momentos continuam me assombrando toda vez que fecho os olhos, por mais que eles fiquem abertos a maior parte do tempo.

Desculpe, mas não.



Tentei por muito tempo seguir aquele sentimento de que "você precisa de uma vida mais calma","fixar-se em alguém simples tornará sua vida menos complicada", só que a verdade é que pessoas simples tornam meus dias mais sacrificantes que o normal. Fico tentando ensaiar coisas que nunca imaginava que seriam tão difíceis de fazer normalmente. Dormir, acordar, comer, dormir. Sem contar que,  por mais  simples e leve que as pessoas sejam, quando você explode, elas nunca estão ali para conseguir remontar seus pedaços caídos no meio da esquina, depois  de perceber todo o vazio que está submerso à sua alma.

Eu explodi, muitas vezes, e me surpreendo com o que ainda tenho para largar no chão nesse mundo imenso. Quando ver-me na rua, me abrace, tenha calma, tente disfarçar e não comente como estou magro. Sinta o cheiro do perfume misturado com nicotina e diga que nunca sentiu esse cheiro em mim antes,  e que está bom. Sente-se no meio da calçada e comece a lembrar de algum momento passado, tentarei não morrer por dentro de saudades que me afogam. Eu aprendo a nadar, por mais que queira deixar a água desaparecer com tudo que sobrou em mim.
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domingo, 13 de novembro de 2016

Desistir é a maior e mais letal droga existente em território humano. Seu uso pode causar danos imensuráveis não só aos que usam, mas sim para todos que estão ao seu redor. Diga não às drogas

Quanto mais você pensa, mais te sinto longe. Não consegue perceber o quanto tive que sangrar para tentar tocar um pouco de uma alma como a sua? Não conseguiu enxergar todas as luzes que consigo acender por sentir sua pele?  Teria você o segredo de uma vida simples que sempre achei que fosse impossível, mas, logo quando percebo o que está a minha frente, fracasso.
Vendo o pouco de mim para traficar um pouco de atenção. Sei que não é nada demais, mas é o nada que venho procurando há tanto tempo. Sou oco, vazio, e de tanto me jogar ao lixo, podre internamente acabei me tornando. Inspire um pouco, sinta o cheiro, saiba que antes era mais ácido,  por pouco desisto. Mas agora que consigo me purificar, fracasso.
Queria saber explicar todas as minhas atitudes de forma clara e mostrar que nada feito foi por mal, porém as atitudes já não são claras. Treino feitos que não deveriam ser difíceis,  e mesmo assim, não chego ao meu objetivo. Você sabe entender? Consegue entender? Pelo menos tentou por meio segundo de todo seu egoísmo e sofrimento entender? Não sou como os outros, já fui muitos por essa vida e hoje em dia não sou mais ninguém,  mas lutava diariamente, constantemente, tentando ser algo para você,  que não fosse o que sou nesse momento. Mas, pelas minhas próprias mãos acabei encontrando aquilo que sempre faço, por mais que eu mude, por mais que dentro de mim eu encontre forças para não acontecer, e nem sei onde encontro. Eu sempre fracasso.
E sempre espero que alguém diga que estou errado. Alguém arrancou sua língua agora?
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sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Cachorro velho

Pensei em pedir-lhe a eternidade
Você quase a me deu
Penso como seria caso pedisse
Você estaria aqui agora?

Eu só queria alguém que conseguisse me encontrar no caos. Já não sei por onde sairia caso fosse necessário. Já senti esse cheiro antes,  e agora, fico triste antes mesmo de algo acontecer.

Gosto de você mais que o tempo permitiria ser possível,  sinto o peso da consequência adjunta. Não temo que eu provavelmente chegue ao final desses trilhos destruído,  mas minhas experiências passadas me fizeram ter certeza de que esse é o momento certo de seguir. Tenho passado por situações que me fizeram ficar preso em coisas que não me pertencem,  agora sinto que entre seus traços quero estar o máximo que permitir.
Sinto o que exala de ti quando nos fundimos, não ignore os sinais agora. Precipito-me demais e penso em todas as possibilidades existentes para causar algum desfecho prematuro, não consigo mudar.
Sujo-me do sentimento mais puro, esperando que me cure
Mas
Na verdade
Quero mesmo que me toxique
Mais
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sábado, 17 de setembro de 2016

Undisclosed Desires

Quando você for morrer,  não saberei o que fazer, porque saberei antes. Eu já sei que vai acontecer,  e o mais cômico do conhecimento é a auto-aceitação. Sabemos que não deveria desde antes de acontecer, mas a vida é nosso azar, e viver nossa penitência.  Morrer parece fácil,  nosso masoquismo nos limita. Mas, quando você for morrer, serei frigido, minha inveja se entorpecerá de ocitocina para deixar meus desejos ocultos a tona. Meu silêncio talvez falará mais que todos os anos perdidos com uma afinidade atemporal. Celestial, se não fosse pecaminosa.
Não hesitarei. Não irei decepcionar-te em seu momento de maior consciência,  e também de maior orgulho.  Sei que sua alma clama pela coragem, que seu corpo chora todo dia por fracassar em sua maior ânsia, mesmo com as lágrimas extintas pelo estupro diário. Seus olhos não fecham pelo descanso,  sim pelo cansaço. Mesmo que haja o inferno que lhe é herdado, prefere pousar eternamente no conforto das asas de Lúcifer  que sofrer por aquilo que nunca pediu. Sabe das exigências e consequências de seus fatos, do desfecho daquilo que mal começou, mas, nas melhores das hipóteses,  o que acontecera fora nada que mera tragédia barata. Ninguém foi na estreia, o monólogo não convenceu. As cortinas irão fechar, meu belo,  mas prometo que nas coxias há a paz, respire o mofo, ele conforta.
Talvez de tanto pensar ficamos perdidos, mas sabemos que nosso objetivo está tão longe,  e não sabemos se o percurso da corrida traz a colocação necessária para desistirmos de prosseguir, mas tentamos. Eu tento bem menos que você,  sofro menos na caminhada, mas a cada dia percebo seus calcanhares sangrarem,  e não possuo destreza para ajudá-lo.  Sinto medo de manipular suas vontades, apenas para alimentar meu podre egoísmo.
Quando morrer, permanecerei o mesmo. Tentarei agir como se apagasse cada dia de angústia,  e seguirei o roteiro que foi construído em conjunto. Talvez um dia consiga também, mas o conformismo me infecta cada vez mais. Sinto sua felicidade ao ver meu adoecimento. Um dia iremos compartilhar tudo aquilo que tomaram do ventre, mas, enquanto o tesouro não é achado, talvez percebamos que o que resta é apenas o nada. E, para quem perguntar, você sempre será a pessoa mais corajosa que habitou essa realidade. Be proud.

E, não se esqueça
Quando morrer,
por favor,
Lembre a morte de mim.

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quarta-feira, 31 de agosto de 2016

O renascer das flores de setembro

Eu tinha tanta coisa pra te contar ontem. Ontem acabei indo para a cachoeira que nos encontramos, e tudo lá incrivelmente me lembra você.  As pedras conseguem mostrar a força que tive de deixar você levemente se afastar de mim, sem lutar para que pudesse ser resistente. Por mais que quisesse sua presença,  ela não dependia apenas de mim, mas, conto-te que ainda guardo todos os pequenos sentimentos, e que ainda podem crescer um dia, caso queira.
Mas eu sei que não quer, vejo que sua vida vai além de um romance incerto por alguém desconhecido. Eu te conhecia, desde aquele dia na cachoeira em que pudemos mostrar um para o outro tudo que tínhamos, e era tão pouco, ao mesmo tempo tão lindo. Às vezes as pessoas costumam comparar sentimentos com o tempo em que é sentido, não acho isso justo. Temos tempos diferentes, vivi contigo eternidades que deuses invejariam, que eu mesmo invejo por um dia ter vivido. Senti coisas únicas e que agora sinto falta, e que por mais triste que pareça ser, consigo viver sem.
A vontade de estar com você é a mesma, e confesso que escrevo isso com um pouco de ressentimento. Encontrei Rita, ela havia dito que você está sofrendo por alguém,  não sei ao certo se o conheceu antes ou depois de mim,  só espero que não tenha sido durante. Ouvir que você está sofrendo e sentindo algo por outra pessoa foi como uma traição,  uma vez que o motivo do afastamento foi não estar com cabeça para estar com alguém. Minha vida precisa de um rumo, você disse,  lembra? E agora? Onde seu rumo te levou? Tristeza? Pois o meu caminho lhe daria tudo, menos motivos para postar alguma indireta em suas redes sociais.
Envio esse email sem esperanças de um retorno, mas caso queira conversar, meu número não mudou, nem a vontade de viver algumas horas com você. Entenda que isso não é um pedido de namoro, muito menos uma declaração de amor eterno. Digo que estou com vontade de te encontrar de novo, como sempre quis desde que nos vimos. Mas vontades são como as águas dessa cachoeira, podem ir embora e nunca mais voltarem para o memso lugar, e também podem trazer outras águas,  outras coisas, outras vontades. Por agora, só queria saber que raios fiz para receber tanta indiferença e solidão,  e, mais que isso, por que não consigo tirar seus olhos da minha cabeça.
Segue em anexo foto do meu lugar favorito, que você fez questão de estragar.
Att.
Roberto.

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segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Entai

Dimitri era africano. Você começou a usar perfumes fortes porque combinavam com sua música, algumas roupas minhas estão guardadas até hoje pois tem seu cheiro, que era dele. Ele não tinha uma vida muito fácil,  principalmente pela fama. Você o admirava veemente como se cada passo dado pelo cantor fosse seu futuro. Nenhum levou a mim.
Poderia encontrar um verso de cada música que pudesse descrever como nossa relação sobreviveu por tempos.  Agora apenas o whisky consegue me fazer sentir como me sentia com você. Talvez tenhamos tempo para conversar sobre todas essas coisas, mas de que adianta? O que sobraram em mim foram memórias e laços que não conseguem mais desatar, de linhas que cercavam nossos corações.
Nos conhecemos durante o lançamento do oitavo disco de Dimitri. O auge de seu sucesso acontecera nessa época,  e sua imagem reluzia perfeição. Astros, meros humanos como nós,  apenas gostaríamos de ter certa porcentagem de toda sua grandeza. Fomos embalados por meses em suas musicas, e cada uma acabou me lembrando um pedaço de você. O que faço agora é tentar recordar de tudo como um rito, ouvindo suas músicas em um quarto escuro e imaginando momentos que aconteceram, para tentar ficar mais perto de você.
Anos depois, quando já éramos apenas pedaços de músicas espalhados em meu celular, que insistiam em tocar nos piores momentos do dia, Dimitri anunciou seu fim de carreira, e foi a última vez que conversamos.  Você parecia devastado e sem saber o porque de tudo, da vida, seus acontecimentos.  Havia consideração pelo cantor, mas algo mais grave parecia acontecer. Gostaria de ter ajudado, mas sabia que não seria possível.  Lamentei a morte, a ausência,  esperei resposta. Mas os mesmos erros, cometidos não somente por mim, por todos, fazem todos parecerem a mesma pessoa, mesmo que essa se sinta uma nova. Jurei estar mudado, até mesmo propus algo mais leve, mas apenas recebi o agradecimento pelo luto. E no dia da morte de Dimitri,  meu coração fora enterrado também.
Dizem que Dimitri morreu por amor, amor ao mundo,  amor aos seus amores,  amor ao viver. Alguns se surpreendem pela força tida em continuar vivo tanto tempo, com todos seus problemas. Admiro, mas forte mesmo é quem está vivo, tendo centenas de músicas que sugam pouco a pouco de si mesmo, torcendo para não aparecerem, mas querendo um pouco de oxcitocina para alimentar seus monstros.
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terça-feira, 12 de julho de 2016

Acotilio

Supro minha fome com sua voz, sinto suas palavras em meu corpo como roupas que servem só em mim. Trato de tentar me comparar à sua presença,   não gosto de me sentir tão inferior ao seu lado. Tolo, tento encontrar algum assunto que o satisfaça. Duas ou três palavras trocadas, e o silêncio em minha boca se torna presente mais uma vez.  Gosto de te ouvir, gosto de perceber o quão pequeno sou perto de tudo que o representa.

Com suas asas grandes
Clandestino, pouso em um lugar que não me pertence
Torço para que diga-me algum segredo
E assim, ser leve para contar-te o maior deles

Nada na natureza é tão singelo quanto isso que temos, sem ter. Pareço viver nos tempos de Dionísio tentando expressar a beleza de suas musas, que o esperam descer do Olimpo,  crentes que,  uma hora ou outra, serão dignas de sua imagem. Não sou Deus,  sou um andante em busca de uma parte sua em outro, pois você não desce. Humano, sei que de cima observa sadicamente minha procura, e, quando consigo encontrar, mostra-me que não. Nunca serei completo longe de ti. Nunca seremos nós.  Suas migalhas não me preenchem, mas nem todo ser na terra tens sua divindade.
As horas passam e Cícero faz sentido mais uma vez. Daria minha vida por uma tarde discutindo Caetano em seu colo, ou talvez pensando em Clarice.  Alegria seria ver seu acordar, mas tão distante estamos.  As conversas são só conversas. As conversas são mais que conversas, são morfinas combatendo o câncer diário. Minha cura está em você,  como minha condenação. Ser feliz com outro é apenas uma ilusão que tento alimentar a cada dia, mas, quando apareces,   sinto o peso da verdade, e me afasto de tudo que não lhe parece. Quando somos,  sofro, espero, até oro. Bobo, me vício por alguém que não toco, mas me toca o peito, a alma.

Sinto por você algo indescritível
É estranho dizer, pelo pouco que conheço de ti
Tenho medo de me aprofundar em suas certezas
E partir se tornar impossível
Mas enquanto isso, vai embora não
Fica pra mais uma estrofe
Nem que seja em uma rima pobre
recito-te à noite
Porque você,  assim
Pra mim
É poesia.

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quarta-feira, 15 de junho de 2016

Mãe

Você me emprestou seu útero,  mas não nasci de você.  Deu de si, seu alimento por anos, mas não foi dele que cresci. Ensinou o que é certo e errado,  andar, falar seu nome, mas minhas palavras não se parecem com as suas. Seguir seus passos por tanto tempo,  mas não eram os meus. Tentei me encontrar em seus braços,  mas não era meu corpo que eles queriam abraçar.  Não era minha alma que você dizia amar, e eu, por amar a sua, fiz de tudo para mudar,  seguir, andar, falar, pensar como você.
Escondi de mim tudo de mais puro por medo de te assustar. Dentro de mim viviam tantas cores, mas todas se juntaram em um enorme negro, uma escuridão que engula todo aquele desejo pecaminoso herdado de Levítico.  Existia tanto amor para você enxergar, mas aquelas quatro linhas de punição te impossibilitaram de ver, que desde pequeno, eu estava ali, e não aquele que você pensou ter. Havia felicidade no meio disso tudo, mas não era genuína,  eu vivia um personagem de algo que não tive escolha, como também não havia escolhido ser, desde que fui expelido de si, e para nunca mais pertencer a algo que não me representa. Agora percebo isso.
Descobri por mim mesmo que não precisaria ser algo que não me completava para fazer outro alguém feliz. Doce maldição do auto-conhecimento,  foi assim que tudo começou.  Pensei ter encontrado a paz, mas na verdade o que encontrei foi apenas o início dos meus problemas. Ser eu mesmo não me completava também.  Saber o que sou nunca foi a resposta de nada, muito menos para o que eu queria ser, pois fazer você compreender isso era impossível.  Falhar em te transmitir meu verdadeiro amor me fazia Falhar em me transmitir amor, e, mesmo me conhecendo, nunca me amei, nem você.
Posso ter feito várias coisas erradas, mas nunca tive dúvida das minhas vidas, principalmente do fim da primeira, que acabou no dia em que desisti de tentar me colocar na sua. Talvez algum dia eu consiga encontrar algum motivo para realmente ser completo, por enquanto passo existindo. Indo de casa em casa tentando encontrar um lar, que nunca foi me dado. Procurando tanto um Deus para depositar toda a minha raiva e justificar todas as mortes daqueles poderiam ser eu, por sorte ou azar. Sobrevivendo sem saber o porquê. Tendo o que possuo, e não o que quero, mas sendo eu, mesmo quando morto. Porque,  mesmo que eu vá viver e morrer internamente inúmeras vezes, quando eu for descansar no seu inferno, ou no meu paraíso todo cor de rosa, gostaria que soubesse que a primeira vez que soube como é morrer por dentro foi por suas mãos,  sua boca, seu coração,  seu Deus, tão grande, que não deixou nenhum espaço para mim em você. Eu já morri, e você foi a assassina, obrigado.
Obrigado por matar em mim tudo aquilo que eu nunca fui.

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sexta-feira, 20 de maio de 2016

Até quando?

Cultuo-te como uma divindade
Seja meu deus
Salve-me de mim
Já não sei olhar para o céu e não te ver
Isso é viver?
Talvez seja o fim



Trago flores para o seu altar
Você consegue sentir?
A dor de ver seu partir
Desaparecendo com as ondas do mar



Ouça minhas preces
Devolva-me o mundo
Seja minha salvação
Guie meus pés até seu santuário
Deixe-me tocar em seu corpo sagrado
E faça-me entender toda essa devoção



Temo descobrir que deuses não existem
E que você está só aqui dentro
Cure-me desse sacrifício em vão
Prove-me que estou certo em esperar
Pois toda noite, quando perco o juízo
Tento por horas te encontrar
E minha mente busca por seu paraíso m
Para assim, libertar minhalma de todo sofrimento
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sexta-feira, 8 de abril de 2016

O jeito errado de amar.

Peço distância, por favor.
Não é nada contra a presença dele, muito menos o cheiro que aparece antes mesmo de sua presença, mas é que a minha vida anda tão desvivida, e a dele tão... Tão boa, por mais que ele diga o contrário. Entenda, talvez eu seja extremamente egoísta a ponto de perde-lo novamente, diferente de sempre, mas sou assim, perco as melhores oportunidades nos momentos menos oportunos. Incrível que agora, horas depois de tudo e pensar sobre tudo, continuo com seu cheiro em meu corpo, e tantas memorias passam pela minha cabeça, por menos contato que tivemos, parece que algo ficou preso na pele, em meus braços.
Foram dois abraços, um de chegada e um de despedida, o suficiente para corroer mais um pouco todas as armaguras que estão pregadas no meu peito. Adquiri o hábito de fumar à noite, a fumaça me parece poética, e o sentimento de morte a longo prazo me atrai. Traço linhas cronológicas que acabam quando perco laços importantes. Morro e vivo constantemente e ele sempre aparece, de repente, durante esses altos e baixos inevitáveis.
Talvez ele não saiba, mas sempre sumo da vida das pessoas por não ter capacidade mental para viver de verdade, e ele me deixava vivo, me sufocava antes. Hoje, sinto saudades de respirar leve, olhar para alguém e sentir que consegui ser gostável. "Gosto muito de você, sabia?" Dizia a mensagem, mas não era como nas outras vezes, e isso me deixou confuso. Não conseguia ve-lo seguindo a vida, dentro de mim era como se ele estivesse ali, congelado no tempo, esperando o momento em que eu amadurecesse emocionalmente para conseguir da-lo o que realmente merecia e não o que tinha para compartilhar.
Nos vimos no mesmo dia, à noite, e me senti mais vulnerável que antes. Era como se o que tinha para oferecer naquele instante não fosse o suficiente, mas para ele estar ali já bastava. Por que não conseguia me sentir assim também? Começamos a falar sobre nossas vidas, e eu não queria dizer que aquele espaço entre nossas mãos e seus dedos longos me incomodava, ou que sempre senti o mesmo que ele quando o que ele sentia por mim era diferente, maior, ou que na minha cabeça acabaríamos juntos, eu só estava esperando o melhor momento, como naqueles filmes em que os personagens se conhecem ao acaso, se separam por acaso, vivem suas vidas e depois de um tempo se encontram na rua, maduros, e vivem tudo aquilo que queriam quando se viram pela primeira vez. Agora ele já vivia tudo que queria comigo, mas com outro, e eu sentia inveja, e algo novo que ainda não tem nome, mas prometo que patentearei quando descobrir  a definição correta, e darei os créditos a ele, por mais triste que seja isso que estou sentindo enquanto descrevo nosso encontro.
Sempre vamos ter alguma pessoa que por mais distante que esteja, quando a lembramos sempre teremos os mesmos sentimentos. Minha vontade era de falar, lá na frente dele, tudo aquilo que tinha guardado para a hora certa, com a esperança de que ele também me contasse esse mesmo segredo, e acabássemos lembrando de todo o pouco que vivemos juntos, e começarmos a viver coisas novas. Não seria justo. Não teria coragem também, como não tive. O que me resta então é sumir, novamente, e esperar que o cigarro faça desaparecer seu aroma de nostalgia que machuca tanto, e imaginar o que estaríamos fazendo se não tivesse pedido para ir embora naquele julho. Mas quem foi embora fui eu, e sempre irei.
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terça-feira, 8 de março de 2016

Como passar por um fora

Nos primeiros minutos devo ter ficado com o coração acelerado, mais pela ansiedade do que pelo fato de estar a caminho de um fim prematuro de algo que nem aconteceu ainda. As mãos ficaram gélidas, meu corpo sendo quente parecia ter congelado em meio a espera, espera de uma resposta que na minha cabeça poderia ser tanta coisa, com uma finalidade: O fim.
Passaram-se alguns minutos e ele ainda não tinha me respondido. Fui tola e perguntei aquilo que já estava ali, na cara de todo mundo, mas me fingia de lerda para que ele mudasse de ideia em algum momento. Mas o fim de semana passou, a segunda veio e nada de algo mais objetivo. Meus sonhos me atormentavam, minhas amigas começavam a falar que eu estava pagando papel de trouxa, e tudo me pressionava a fazer aquela pergunta que eu temia a resposta, porque sabia, sabia e tinha medo de ouvir/ver/ler, pois acabaria com tudo que estava pensando.
Na verdade não é bem medo da resposta, e sim tristeza de ter perdido tanto tempo, mesmo que não seja tanto assim, tentando florescer algo, fazer nascer algo. É difícil (leia-se impossível) criar um relacionamento nos dias de hoje. Não sei se todos pensam assim, mas as relações pessoais e sociais andam cada dia mais fúteis, ou mais desacreditadas. Você não quer alguém pois sua gama de opções é enorme, e não é capaz de escolher apenas um. Você não quer alguém pois sofreu demais repetidas vezes e agora já está velho demais no quesito amores e cansou de sofrer, ou de tentar não sofrer. Você não quer alguém por ambos motivos, ou por nenhum deles. Ele não me quer sei la por quê, mas hoje irei descobrir, e tenho medo.
Talvez seja pela minha altura, pela minha carência excessiva, pela necessidade de falar e ter um boa noite todas as noites, mesmo não tendo. Pela minha falta de beleza, ou pela beleza excessiva, pela minha visão política, por pular os riscos do chão para não fazer minha mãe quebrar a coluna, pelo meu ascendente, por preferir nescau a Toddy, por não gostar tanto assim de gatos e ele quer ter um gato em casa. Por ser eu, e não ser ela. Por não ser eu.
Mas olha, tô aqui preparada pra qualquer resposta que ele dê, e prometo não me iludir com uma possível possibilidade de continuarmos juntos. Estamos juntos? Talvez não mais, ou nunca estivemos, é complicado, muito cedo pra algo, e eu já estou paranoica. Se ele quiser nunca mais falo com ele, nem olho na cara. Mas se dependesse de mim, estaria de branco, os sinos estariam tocando nesse exato momento, enquanto eu imagino o "desculpa, mas não vai rolar mais ".
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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Lunar










Minha gratidão disputava com a lua
Para ver qual das duas era maior.
Mesmo cheia, parecia pequena
Comparada ao quão grande me sentia ao seu redor

Sabia que seria assim, tinha medo
Há tempos pensava como seria sensação
Até que então, de repente
viu-se entre seus braços, meu  coração

Podia simplesmente terminar por ali,
Mas, insistente, quis ter certeza do êxtase daquela sensação
Agora, não sabe mais o que sentir
Porque na sua cabeça mora mais que uma mera comprovação

E agora, o que vem depois?
Todo um misto de sentimentos liderados pela espera
Tentando controlar o que o coração propôs
Depois de uma semana totalmente errada e perfeita


Talvez eu erre em algum momento e o perca
Pois assim sou, mesmo tentando
Mas saiba, que enquanto estiver lembrando
a primeira palavra que estará dentro e mim ao ver-te será




obrigado.
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domingo, 31 de janeiro de 2016


Ela vinha toda quarta-feira, depois do pico do sol. Ela ou ele, não sabia muito bem descrever o gênero das abelhas, pois nunca perguntou diretamente a ela, se era de fato uma senhora, senhorita, moça inocente como pensava, ou era um rapaz que roubava de sua donzela o mais íntimo segredo dentro de seu ser. Não se importava muito se era uma abelha ou zangão, pois mesmo ele ou ela não tinha uma definição do que era de fato. Sabia o que era, mas não sabia qual era, sentia-se assim. Isso de macho e fêmea era coisa de humano,  como sempre diziam os outros lá do canto. Só os ouvia, nunca os vira de fato, mas sabia que eram sábios demais para falarem algo que não era verdade. Diziam que existia algo, que nunca tinha visto, mas era tão perigoso e mortal, que rezava para não ver. Ou fazia algo que lembrava o rezar, pois isso também era coisa de humano, desses seres perigosos, porém sabia que faziam isso quando tinham medo de algo, se existisse algo que lhes dessem medo, pois pareciam tão imortais. Rezar fazia com que sentissem-se melhor. Ele, ou ela, para sentir-se melhor, olhava para o lado, e se apaixonava cada vez mais, pouco a pouco, pela linda companhia que tinha.
Não gostava das quartas. Aquela abelha/zangão sempre escolhia sua companhia, e ele podia em nada ajudar. Sentia-se impotente, estático, e realmente era. A abelha vinha, tão sedutora com seu zunzun hipnotizador, fincava seu ferrão de forma tão fria adentro do corpo frágil e delicado, mas nada saia além de pequenos suspiros do ar. Corajosa, continuava ali, imóvel, como se nada acontecera no momento, mas no fundo sabia que ela estava sofrendo, apesar de nunca ter sido escolhido para sofrer, imaginava a dor, como também imaginava o amor que sentia por ela. Na verdade sua vida era imaginar, e olhar em sua volta o que acontecia, e admirar a semelhança que tinha com sua pequena e brava companhia.
Não sabia porquê, mas imaginava, como sempre, que gostava dela por ser sempre escolhida nas quartas por aquela abelha. Não sabia se sentia inveja, ou se ficava triste por não ser ele o escolhido, mas ficava pensando o que ela tinha de mais, o que ele tinha de menos. Passavam-se as semanas, e quanto mais acontecia, mais tinha certeza que não aconteceria com ele. E chorava, o que achava ser lágrimas, pois diziam que era o que saía quando a angústia dentro de si era tanta, que não cabia mais no corpo. E seu corpo era tão frágil, pequeno, e cabia tanta coisa, que nem sabia o que era. Mas não sentia raiva, isso não sentia. Por mais que queria ser como ela, não se achava aos seus pés. Nunca a viu o olhando, mas ela sabia de sua existência, todos sabiam. E isso o confortava. Queria ter coragem para ter um primeiro contato com sua misteriosa companhia, mas isso nem humanos tinham, imagine uma simples margarida.
Até que um dia, numa odiosa quarta-feira, um grande terremoto começou de repente. Foi logo após o assalto da abelha sanguessuga, que foi interrompido por tal movimentação estranha não identificada. Sentiu dor, ou pensou ser dor, porque dava vontade de gritar e parecia não ia acabar nunca. Pensou-se ter morrido, aquilo que os humanos dizem que acontece quando a vida acaba, mas não se sentia diferente, digo, diferente sim, mas ainda vivia. Estava sem chão, ouvia-se coisas estranhas. Demorou para abrir os olhos, viu aquilo que mais temia: Humanos. Vários, aos montes, dos mais diferentes tipos. Olhou para si, sem parte do corpo, talvez tenha perdido duas ou três pétalas. Mal respirava, e ficou mais difícil quando lembrou-se da amada. Procurou em todo canto, por mais iguais que pareciam ser, sabia qual seria aquela doce companhia. Achou-a tão longe, naquele aglomerado de igualdade que sufocava cada vez mais, mas suspirou aliviado por ainda estarem juntos.
Queria poder gritar um "estou aqui" mas estava tão fraco. Queria voltar no tempo, mas não sabia nem por onde começar se voltasse. Ali, logo ali, começou a querer tanta coisa, que nem sabia o que era. Poder ser amado, ser livre, ser humano. Piscava cada vez mais devagar, tentando aproveitar os momentos em que conseguia ficar de olhos abertos para avistar, de longe, a companhia, que não parecia mais tão desejada como antes. Ouviu algo estranho, que parecia um "tananana tan tan nana tan tan", lembrou do que diziam sobre algo chamado música, que acalmava, mas essa só doía. Lembrou do ferrão, da abelha, da dor que nunca sentira e tentou comparar com a que sentia agora, admirou ainda mais sua amada. Pensou consigo que não aguentaria tal dor tantas vezes, queria dizer isso para ela, mas mal conseguia abrir os olhos. Ao ouvir algo parecido com "Danilo e Mariana, declaro-lhes marido e mulher" fechou os olhos, desejou algo que nunca existiu, sonhou  com seu condenado amor, e declarou ódio eterno a todas quartas-feiras.
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quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Por favor, não volte.












Nunca tive medo. No começo não houve palavras, e quando digo começo, foram dias, meses e mais meses de um silêncio puro, ingênuo , que fez com que ele parecesse uma criança querendo descobrir o mundo que estava a sua volta, mas ainda na barriga da mãe. Não o via, mas sabia que ele estava por lá, em algum lugar escondido na penumbra do quarto vazio do meu apartamento. Lembro que estava dormindo quando escutei um barulho vindo de lá, mas, por algum motivo permaneci na cama e voltei a dormir, até que no dia seguinte o quarto estava todo bagunçado e o guarda-roupas entreaberto, então notei sua presença, por mais que não o tenha visto, tinha certeza que estava ali, e não me importava o que era, por mais estranho que parecesse essa sensação.



Foi quando o Luís me ligou pela ultima vez que eu pude vê-lo finalmente. Eu e o Luís estávamos aos trancos e barrancos por semanas, naquela de altos e baixos, mas os altos não conseguiam mais alcançar a superfície, de tantos baixos existentes entre nós. Foi uma discussão difícil, ambos ja estávamos fartos de tudo que estava acontecendo na nossa vida, não víamos mais como contornar aquela situação e eu acabei tendo um insight que às vezes a gente prolonga algo que não tem mais elasticidade para aguentar os puxões, e quando arrebenta a dor é muito forte, e já estava doendo muito, não imaginava como seria a dor seguinte, então eu desliguei. Tá bom Luís, até. E foi. Chorei bastante no silêncio puro e ingênuo que tinha em todos os cantos daquele apartamento, mas então ouvi algo. Fui até o quarto e me deparei com algo que nunca imaginaria existir, mas estava la o tempo todo, e parecia preocupado, queria ajudar, senti isso. Aproximei, e mesmo esguio, não hesitou. Nos abraçamos, senti o frio de sua pele usurpando o calor da minha, mas não fugi. Ficamos assim por minutos, até que pudesse analisa-lo por completo, e até hoje não consigo descrever com palavras o que ele pudesse significar.



Os dias passavam, e Luís mantinha a incansável luta de tentar me fazer voltar atrás. Mas eu estava forte agora, tinha meu novo amigo me esperando todos os dias após o trabalho, conversávamos sobre muitas coisas. Ele até aprendeu algumas palavras logo na primeira semana. Até mais. Obrigado. Não. Ele olhava para o céu na minha sacada e apontava para as estrelas fascinado pela luz que imanavam, e eu o compreendia pelos seus gestos.



Ele foi crescendo, e quanto maior ficava, mais culto, mais sério se mantinha. Lia Marx, Freud, Dostoievski, bula de remédio e a tabela nutritiva de todos os alimentos que entravam no apartamento. Não falava muito, mas quando abria boca, saíam sempre as mais sábias palavras. Precisava de roupas, acabei comprando um terno, para combinar com a seriedade que exalava por fora de seu corpo, de um ser totalmente indescritível, amável.



Foi quando vi o Luís no caminho de casa que tudo mudou. Conversamos por uns três minutos, e percebemos que nossas vidas tinham sido levadas adiante, superamos. A dor tão grande que senti à meses atrás não passava mais de uma saudade de ver filme juntos, mas daí lembrei que ja tinha companhia para isso. Víamos o por do sol todo sábado quando namorávamos, era sábado e lembramos disso. Engraçado. Ne? e sorriu. Meu coração não saltou pela boca, não senti o chão cair e muito menos tive vontade de sorrir de volta. Mas sorri, concordei e me despedi. No elevador tive a confirmação: Não me via mais apaixonada por Luís, e sim por ele.
Subi, sem demonstrar nenhuma evidência do que havia acabado de descobrir, mas de uma coisa tinha convicção que deveria fazer, deveria assumi-lo para o mundo. Era fácil te-lo em meus braços diariamente dentro do apartamento como uma rapunzel aprisionada para os desejos perversos de uma bruxa, e não o queria assim. Era sábado, o por-do-sol era tão lindo, queria mostra-lo, e o mostrar para o mundo. Minha mãe iria estranhar em um primeiro momento, mas sabia que ambos tinham os mesmos ideais, não tinha medo da rejeição, pois o tinha a tanto tempo que não ligava para opiniões alheias. Eles iriam ter que engolir, querendo ou não.



Peguei os óculos, protetor solar e duas toalhas, enfiei tudo na bolsa de praia e o peguei pela mão. Seus olhos brilhavam pois nunca tinha saído do apartamento. Não tinha outras roupas a não ser o terno que estava todos os dias, mas não achei necessário mudar a vestimenta, iria tomar banho de mar com terno e tudo. Mais emoção. Saímos do prédio, nunca vi tamanha felicidade de uma forma tão singela, talvez até tenha chorado. Só que nesse instante também percebi algo, mas diferente do Luís, não senti a dor do elástico se rompendo. Ele soltou minha mão. E foi. Não tinha asas, porém enquanto sumia, pude vê-lo voar, e como em um sussurro no meu ouvido, escutei a última palavra nova que ele conseguiu aprender a falar, e sozinho.


Adeus.
Estávamos livres.
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