Você criou um monstro, e agora não quer mais cuidar. Alimentou-o como uma fórmula, e agora diz que não há mais segredos para reverter o que foi alcançado sozinho, pois foi egoísta demais para pedir ajuda, e o feito, desfeito já não pode mais. Lembro como se fosse hoje das coisas que disse, daquelas que eu havia dito sobre mim, e você disse ser suas verdades. Sobre o tudo e nada que existia dentro de mim. Sobre minhas marcas, que na verdade são troféus tidos pela minha vida. Sobre minha loucura, que nunca foi loucura assim. Trata-se de algo maior que si mesmo, que enche seus olhos de promessas que mais parecem surpresas, e uma pior que a outra, não consegue perceber? Nada disso tem a ver comigo, por mais que você tentasse me colocar no jogo para poupar sua vez de jogar. E nada que tentara se espelhar em mim, como um ladrão de sombras, causou algum efeito, pois o nada me protege, e faço de tudo para ser quem sou.
O jogo acabou há várias partidas atrás, até porque um jogo que se joga um contra um, e esse outro só existe em sua imaginação, o desfecho já é previsível. Eu jogava assim quando menor era, porque minha mãe sempre teve medo que pudessem fazer comigo o que fizeram com ela. Tudo que acontece com você eu já vivi, e não é por isso que eu tenho obrigação de ficar preso a uma farsa que você mesmo provocou.
Não se trata de alguém, afinal das contas. Aconteceu tanta coisa, que mesmo depois de meses, fico confuso em tentar colocar em palavras sentimentos que achei nunca precisar sentir para voltar a vida. Depois de muito tempo, eu voltei, e percebi que na verdade nunca havia ido de fato. Como sempre, voltei por mim, pois você não é o único egoísta aqui, mas a questão é a gravidade e não o sentimento em si. Como nunca, acabei voltando sozinho também, mas sei que logo estarei lotado novamente, e espero que dessa vez eu não me perca no caminho. Como sempre, precisei falar dos outros, porém espero que dessa vez seja a última. Pois, pelo seu equívoco no meio do trajeto, tive que mudar toda a história para te deixar feliz, e o que recebi foi um nada falso, pois isso não era seu também.
Pus-me de luto diversas vezes por achar que havia morrido alguma parte de mim. Fui obrigado a ficar de luto por três vezes, para sentir a ida de pessoas que levaram consigo um pedaço de mim e que serão eternamente mantidas em meu coração, outra coisa que pensei estar morta, mas que na verdade você havia usado para avivar o Frankstein do Paraguai que criou, que distorce a justiça apenas para o seu agrado, pois ele não conhece o amor, não sabe o que é família e transforma o caos da vida em um grande nada sem sentido algum.
Ainda me perco em meio a tantos pensamentos, porém, esse relatório serve para despejar tudo que estava cravado em minha pele até hoje. Não serve para fazer sentido, e sim para retirar todo o veneno que foi jogado no meu corpo reluzente, com o objetivo de tornar pedras as flores que nasciam a cada abrir de olhos. Nada morrerá dentro de mim, e todo esse veneno e cheiro de morte serviu para que alargador um pouco minha saliva, nada mais que isso. Agora, enquanto cuspo cada palavra de mim, o conta-gotas vai se esgotando, e, diferente de você, me certifico de que ninguém mais seja infectado e sinta toda a dor que senti por esses dias.
Me sinto mais leve a cada derramar. Flutuo cada vez para mais longe, tentando mostrar para você que não consegue mudar, que sempre tentei te alertar: a mudança é a chave de tudo. Já vivi tudo que presencia, pois já vivi tudo que fora mostrado a mim. Nunca sou o mesmo, por isso, caso tente me derrubar (mesmo sabendo que está jogando sozinho, pois sei que é cabeça-dura ao extremo para pensar em outra alternativa), nunca saberá quem sou, nem eu mesmo sei, e estou de acordo com isso também.
Passei muito tempo tentando me aceitar e achar uma explicação para tudo que estava acontecendo, quando ambos éramos personagens de uma história que você não entendia. Foi uma longa viagem, uma longa história, mas, o mais básico você nunca conseguiu entender, ou se negava entender por não ser o que queria. Cada vez que você dizia que a história era sobre a sua vida, eu gritava dentro de mim o contrário. Isso nunca fez sentido, e o maior ato de humanidade de ambos foi esse dilema. Você foi egoísta demais para entender que não passava de um personagem secundário, e se não gostava do enredo, era só fazer outra com suas próprias palavras, e eu fui tolo demais para tentar alimentar seu sonho de achar que havia algum significado além de ser aquilo que eu estava vivendo. Não há o que quebrar, além de todas as palavras que escrevi daquela longa história, que agora me nego a continuar, pois voce tirou todo o encanto que havia dentro dela alimentando o seu monstro.
Adivinha quem ele é?
Dessa vez eu deixo você ser o máximo egoísta e egocêntrico que conseguir ser, e saiba que falta pouco do para ele abrir os olhos e começar a falar, e temo que estará sozinho, como eu fiquei por esses dias, mas não mais.
Enquanto você estiver apenas com sua sombra e a maldição que insiste em pensa que existe, eu estarei aqui, escrevendo com minhas flores, árvores, rios, campos, pessoas, pássaros, ouros e diamantes, estrelas e infinitos que moram mim. Como se tudo e nada fizesse parte de um corpo só, e o anúncio de uma nova viagem está por vir, e as malas já estão prontas há meses.
terça-feira, 26 de dezembro de 2017
quinta-feira, 19 de outubro de 2017
Carta aberta à vida
Esqueça da minha existência. Finja que eu
nunca existi. Já não agüento mais o peso de seu desejo. Já não sinto meu corpo
como antes, é como se seus olhos estivessem sempre o olhando, ali, onde não
vejo, como garantia de um elo que só você encontrou. Eu nunca quis fazer parte.
Eu nunca nem ao menos pude sentir ou tocar tudo aquilo que você e vocês tanto
dizem que me ronda. Não preciso dizer sobre ter, preciso? Você não me tem,
nunca terá, por isso observa, de longe, cada hora com um olhar. Cada hora em um
olhar, pensando que me engana, para assim enganar. Mas seus truques chulos, eu já os conheço, de sempre.
Nossas cantigas são de outros carnavais, e
nas contam amores que já se foram, então, por que a insistência? É difícil entender
que não sou eu, ou alguém por trás de mim que faz com que os pingos sejam
colocados nos is, todos. Eu não sei o porquê das regras, o porquê do jogo, só
estamos nele. Não há vitória, por isso não desisto. As mortes irão cessar, mas,
enquanto necessárias, se vai os sentimentos, um por um, morrendo todos, sabendo
que irão ser vingados um dia.
Peço desculpas, até por aquilo que não sei se
fiz. Nosso mundo é gigante, lance seus olhares para tudo que há de lindo nele. Isso
é o máximo de sinceridade que irá tirar de mim. O resto se foi, pedindo
socorro. Quantas mortes terão de acontecer por sua ronda insaciável por aquilo
que não tem. Já basta, eu sei de tudo que acontece por aí, e tenho nojo. Não sei
como passou por todas essas cabeças que você possui que poderíamos ter algum
tipo de compatibilidade. Você é falso, pode ser muitos, porém nenhum deles se
assemelha a mim.
Oro, rogo, prego pela minha liberdade, e irei
até o fim por ela. E, nem pense ser pessoal, faria isso por qualquer um que tentasse
me prender, não há nada que lhe faça pensar que tenho alguma obsessão minha. Você
foi só mais um, eu já aprendi. Mesmo sendo muitos, tenha certeza que todos
vocês irão provar do próprio desejo, da própria procura.
Tenho ajuda sim, não nego, mas por sua
exclusiva causa, sua e de seus pensamentos pesados, pesando em minha paz, por
não entender o ciclo da vida. Por suas más palavras contra mim, preciso de um
escudo contra todos seus espinhos. E tenho, por exclusiva culpa sua, e sou
grato por isso. Sou mais forte, sou mais eu.
Sinto em
minha pele uma vontade de justiça, e eu sei que ela está a caminho,
antes mesmo do que imagino. Não enfraquecerei, não mudarei minha essência pelo
seu veneno. EU SOU A CURA. Espero que entenda e desista logo, pois não haverá
mais mortes. Nada mais em mim será tirado.
Fico em paz, e à espera do desfecho. Confesso estar ansioso pelo desfecho, não
fomos apresentados ainda. Tudo pode acontecer, não é lindo?
Por favor, me escute. Siga a sua luz, é mais trabalhoso
que mendigar um pouco do que posso lhe dar, para aumentar um pouco mais o seu
ego. Pare de jogar pedras, plante suas flores longes do meu jardim. E, por fim,
enfim, cuidado. O calor em meu corpo é o aviso de que a sinceridade acabou de
ser morta.
Da próxima, trago café.
sexta-feira, 18 de agosto de 2017
Lírio d-água
Eu não preciso de ninguém.
Nunca li muito sobre mantras ou todas essas
coisas que dizem ser como um conta-gotas espiritual, que serve para melhorarmos
em algo, mas tenho essa frase como meu lema desde o dia em que nasci. Repito
isso toda vez que me sinto perdido no meio desse mundo tão imenso. Mas é que me
sinto tão pequeno às vezes, quando ando pelas ruas, quando tenho que conviver
com pessoas que claramente são melhores que eu, e que provavelmente já tiveram
essa mesma certeza e seguem vivendo suas vidas egoístas nesse mundo tão imenso.
Me sinto tão minúsculo ao meio de tanta lama que piso, mas, agora me sinto
forte. Onde fica toda essa força? Por quê ela foi ignorada por mim todos esses
anos, e se esconde, dentro do meu peito e explode, dentro do meu peito, e
corre, por entre os cômodos da minha gata, e goteja, por entre as telhas do meu
quarto, e se espelha, em meu corpo. Por quê ela é ignorada por todos que
encontro por aí? Porque eu sei, todos veem, todos sentem, mas um ou outro
consegue descrever algo que a envolva.
Sou
grande, mesmo sozinho. Ocupo muito espaço nesse mundo, agora, ando por meio de
lugares que não me suportam mais. Queria ir embora, mas para onde vou? Todos os
lugares por aqui parecem o mesmo, independente do tamanho, sempre grandes, ora
pequenos, ora não pertencentes a mim. Não tenho um lugar nesse mundo que eu
possa dizer que me representa, tanto sangue derramado e confundido com derramar
de pétalas funerárias dos corpos sem vida que rastejam ao meu lado. Perambulo pelas
ruas, pois, hoje, percebo que eu sou um ninguém também, e como sou ninguém, não
preciso deles.
Eu não
preciso de ninguém, e isso martela na minha cabeça vinte e quatro horas por
dia. Tento dormir, mas, lá, eu também tenho a ilusão de ser uma pessoa
dependente, que se decompõe pouco a pouco pelos erros dos outros, pela falta de
consideração dos outros, por não ter quem me ouvir, por não ter um ombro para
molhar de lágrimas nas noites que nem nós mesmos nos aguentamos, por não saber
que lugar eu posso confortar meu corpo inválido nas ultimas horas esperadas do
meu ser, por não conseguir gritar, por ser eu.
Eu não
sei o que eu sou, isso é verdade. Mas, na procura de saber minha verdadeira
identidade, acabei encontrando coisas que não sou, e coisas que me tornei. Sou sozinho,
mesmo rodeado de rostos que insistem em me julgar, mas somos todos iguais. Não existem
espelhos em seu mundo? Perda de tempo cobrir-se de razão, enquanto escorre seus
erros pelas pernas. Sinto seu cheiro. Não sou egoísta, por mais que pareça,
sempre pensei no outro, até agora, tentando expor todo meu sofrimento por não
saber o que estou fazendo aqui ainda, é pensando que existem outros como eu por
aí, sofrendo, chorando pelos cantos sozinho por não ter quem consiga ouvir seu
grito de socorro. Não sou como eles, por mais que se pareçam comigo, e isso me
faz não precisar de ninguém.
Subo pelas
paredes, acho um pouco de alívio nas curvas de outro qualquer e sacio meu
veneno, que uso em mim mesmo. Não sei ao certo se pode ser considerado como
algo nocivo, porque é disso que me alimento e continuo a suportar todas as
tristezas que se instalaram na minha alma, mas dói também. Dói todo o processo,
dói o roteiro, dói a língua, dói ter de deixar entrar alguém que não quer
entrar, e ter de permitir sua saída, pois nada é meu, nem eu.
Eu não preciso de ninguém, mas, é por alguém,
não sei quem, que continuo fazendo todas as coisas que me fazem morrer aos
poucos, porém, a morte verdadeira ainda me espera. Morro todos os dias quando
vejo toda a ganância e individualismo que existe em terra, porque, mesmo não
precisando de ninguém, eu não preciso destruir sua essência. Até hoje, todos
que passaram por mim, levaram um pouco do que existia aqui dentro. Foram tantos,
que não sei por onde começar para conseguir buscar de volta aquilo que fora
meu. Com isso, acabei tendo certeza de que não sou mais o que foi designado na hora do meu
nascimento. A partir disso, posso ser qualquer coisa, pois, de todos que
passaram por mim e retiraram meu ser, o que eles são, tem um pouco de mim. Eu sou
eles agora, e, agora, eles irão sentir minha angústia também, meus medos, minha
vontade de morrer logo caso isso não acabe. Sou tantos, que agora não sei mais
qual posso ser essa noite. Me confundo, mas sei que, qualquer caminho que eu
escolha será o correto, pois, se existe destino, carma, a Deusa, ou qualquer
outra forma divina que esteja acima de mim, eu tinha que escolher estar onde
estou agora, só não sei por quê. Eu sinto todos, e, agora, todos que têm um
pouco de mim correndo em suas veias irão sentir também, passarei pelas ruas,
pelas casas, hospitais, prisões, palácios, mares, montanhas, florestas, sonhos,
atrás de entender tudo que existe de bom e ruim no mundo. Somos os dois. Não
precisando de alguém, também percebi que não preciso saber quem eu sou, mas sim
em quem eu serei o dia que poderei descansar. E, só para não ficar tão mórbido
toda essa reflexão de quem eu sou e tudo de ruim que foi marcado em minha pele
e me fez sentir asco pela minha existência, de uma vida toda errada e sozinha,
me sentir feio por tudo que me permiti ser e fazer até hoje, existe algo que
nunca foi tirado de mim, e nem conseguiriam:
A coragem de ser.
terça-feira, 28 de março de 2017
Fases
Cheia
Queria dizer a você
Que sua pele é macia
Me lembra família
Me dói em você
Toda essa saída
Dizer que volta, mas que não é assim
Some e esconde tudo em mim
Pra voltar e dizer
Que essa leveza é de sangue
Que lobo que é lobo corre sozinho
Mas de mim não consegue correr
Não agora
Talvez queira mais
E me pergunto se sua pele
Será tão sua depois de voltar
Depois de outras tocar
E perder o pouco de divino que havia em mim
Queria dizer a você
Que sua pele na minha
Atrai mais ninfas que qualquer mar
Que deuses percorrem todo o lugar
Só para invejarem o nosso calor
Que vem dela
Que sai de mim
E encontra em você a barreira para morrer feliz
Minguante
Só queria uma chance para dizer
que sua pele não difere das outras
Que tudo que toco o final sinto
E digo antes de viver
Sofro antes de poder
E sem querer grito
Surto
E você corre
Se não correu já já vai
Se não for, eu já te lembro
Lobo que é lobo corre sozinho
E eu te espero
Mas me deixa eu ter essa chance
Sua pele é normal
Sua boca, já vi melhores
Mas nossa alma se encontrou
Senti o alívio quando te vi
Tive que ser breve para não perder
Mas quando vi
se foi a chance de dizer
que meu passado descansa pelo nosso encontro
E de longe roga para que dure
Crescente
Se você não tivesse ido eu teria falado
Que todo o calor que senti foi mais que pele
Osso
Cartilagem
Foi o atrito que te fez correr
Lembrar que lobo corre só
E caça toda noite por carne nova
E agora sozinho fico
Perdido sentindo seu cheiro
Duvidando se estou louco
Ou pela primeira vez vivo
E sentindo a chance de poder gritar
É amor!
Agora é amor!
E sorrir no escuro
Sentindo seu cheiro
Perdido e sozinho
Triste também
Cobrindo-me para sentir o calor
E dizer que era seu
E meu também
Nova
Senti que devia ter mais afeto
Dito que era blasfêmia tal dito
Que lobo pode correr sozinho
Mas todo mundo tem sua família
E aposto tudo que sou seu
Sou seu e tô gritando
Bem alto pra você sentir
O vento tá cheio de mim!
Do calor que morreu em você
E assim ficou feliz
Eu quero ser feliz com você
Sendo lobo, bruxo ou flamenguista
Eu não gosto de futebol mas eu quero
Quero você e sua loucura
Que explode na minha
E nasce tudo isso que me faz falar
Dizer
Gritar
Eu quero você desde antes de ser eu
E antes eu queria bem menos que agora
Não me faça querer por mais vidas afora
Me queira agora também
Antes que a lua suma e você vai embora
Me queira agora também
Queria dizer a você
Que sua pele é macia
Me lembra família
Me dói em você
Toda essa saída
Dizer que volta, mas que não é assim
Some e esconde tudo em mim
Pra voltar e dizer
Que essa leveza é de sangue
Que lobo que é lobo corre sozinho
Mas de mim não consegue correr
Não agora
Talvez queira mais
E me pergunto se sua pele
Será tão sua depois de voltar
Depois de outras tocar
E perder o pouco de divino que havia em mim
Queria dizer a você
Que sua pele na minha
Atrai mais ninfas que qualquer mar
Que deuses percorrem todo o lugar
Só para invejarem o nosso calor
Que vem dela
Que sai de mim
E encontra em você a barreira para morrer feliz
Minguante
Só queria uma chance para dizer
que sua pele não difere das outras
Que tudo que toco o final sinto
E digo antes de viver
Sofro antes de poder
E sem querer grito
Surto
E você corre
Se não correu já já vai
Se não for, eu já te lembro
Lobo que é lobo corre sozinho
E eu te espero
Mas me deixa eu ter essa chance
Sua pele é normal
Sua boca, já vi melhores
Mas nossa alma se encontrou
Senti o alívio quando te vi
Tive que ser breve para não perder
Mas quando vi
se foi a chance de dizer
que meu passado descansa pelo nosso encontro
E de longe roga para que dure
Crescente
Se você não tivesse ido eu teria falado
Que todo o calor que senti foi mais que pele
Osso
Cartilagem
Foi o atrito que te fez correr
Lembrar que lobo corre só
E caça toda noite por carne nova
E agora sozinho fico
Perdido sentindo seu cheiro
Duvidando se estou louco
Ou pela primeira vez vivo
E sentindo a chance de poder gritar
É amor!
Agora é amor!
E sorrir no escuro
Sentindo seu cheiro
Perdido e sozinho
Triste também
Cobrindo-me para sentir o calor
E dizer que era seu
E meu também
Nova
Senti que devia ter mais afeto
Dito que era blasfêmia tal dito
Que lobo pode correr sozinho
Mas todo mundo tem sua família
E aposto tudo que sou seu
Sou seu e tô gritando
Bem alto pra você sentir
O vento tá cheio de mim!
Do calor que morreu em você
E assim ficou feliz
Eu quero ser feliz com você
Sendo lobo, bruxo ou flamenguista
Eu não gosto de futebol mas eu quero
Quero você e sua loucura
Que explode na minha
E nasce tudo isso que me faz falar
Dizer
Gritar
Eu quero você desde antes de ser eu
E antes eu queria bem menos que agora
Não me faça querer por mais vidas afora
Me queira agora também
Antes que a lua suma e você vai embora
Me queira agora também
quinta-feira, 9 de março de 2017
Dezenove horas
Eu fiquei brava com você hoje também. Eu estava estressada e tudo estava me deixando brava, mas eu ficar brava com você me deixou chocada. Chocada e triste. Eu fiquei brava até com a Ariel, e a tadinha da gata só ronrronou na minha cabeça cinco segundos. Depois ela deu aquele miado e ficou sem entender por quê foi jogada da cama, e fez cara de choro. Eu não fiquei chocada, não fiquei triste. Mas ficar brava com você me deixou aflita demais, sem ter o que fazer o resto do dia e isso me fez falar isso aqui agora. Eu fiquei muito brava com você, mas não foi no começo do dia não. Eu comecei triste sim, você havia me ignorado mas eu tava fingindo entender. Depois eu te amei, pelo resto da manhã, apesar que em silêncio pois você havia me ignorado novamente, mas eu sabia que você tava no trabalho. Mas na hora que eu fiquei brava você não tava no trabalho nao, eu sei muito bem que horas você sai de lá com sua camiseta Polo te deixando mais homem e você mais seguro. Eu sei muito bem que aquele horário ali você já estava em casa, provavelmente já tinha tomado banho também, E COMIDO OUTRA VAGABUNDA. Eduardo, dava tempo de você ter trepado com três putas ali do bar três quarteirões debaixo do seu apartamento, gozado, tomado banho de novo e me respondido todo cansado e sem tempo para mim. Eram sete da tarde, e você podia ter feito tudo isso. Eu fiquei brava. Depois pensei. Depois quis chorar. Esse é o horário que você vai correr. Eu esqueci de algo em você, Eduardo, viu o que tá acontecendo? Eu fiquei sem chão, quis mandar mensagem na hora pedindo desculpas por ter me estressado com você, que eu estava pensando mil coisas e acabei descontando em minha cabeça naquilo que eu estava esperando de você. Mas eu ainda tava, tava esperando a resposta, e fiquei brava, mas depois não mais. Você tava correndo, já já me responde.
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017
Lívia
Precisamos falar sobre Lívia:
Para você, que tanto gosta de expor os outros, essa aqui é todinha sobre a sua pessoa. Mulher ruim, que não vê a hora de passar a perna nas outras pessoas, acha que comanda alguma coisa no bairro, que tem status na cidade, mas nem como estrela decadente essa piranha chega a ser, nunca foi famosa, nunca teve status. Ela me invejava, porque eu, diferente dela, tinha uma vida, simples e boa. Lívia nunca foi boa. Não consigo me lembrar de um momento da vida dessa mulher que eu pudesse invejar ou orgulhar de ter conhecido tal pessoa vazia e mesquinha. Lívia não tem pudores. Seus amigos, todos sabem que não devem confiar nas palavras de Lívia. Na primeira oportunidade, a amizade vira lucro, e o amigo, carrasco.
Nem bonita a Lívia é, usa roupas clichês com tons pastéis, mas na verdade todas suas roupas já estão velhas e gastas, a cor é de esquecimento e não vintage. Tenta tirar vantagem até de si mesmo, se ver que pode ganha algo com isso, e realmente faz. Não estou brincando, Lívia não confia nem nela mesma, e, boa Atriz como é, consegue se enganar também. Lívia vende seu corpo, poucos homens a compram, nenhum a leva. Lívia perdeu amores, mas na verdade nunca amou. Tento achar algo de Belo nessa mulher, mas creio que a única coisa bela existente nela é a distância que deveremos ter dessa vadia.
E não para por aí, a Lívia mexe com droga da pesada, e todo mundo sabe, e todo mundo usa com ela, e ao pensar que está ganhando lucro sendo traficante, ela se afunda mais no vazio que sempre esteve lá. Quem não a conhece como falsa traficante, a conhece como puta barata. E nada muda ela, porque de certa forma algumas vezes ela ganha. Ela ganhou de mim, mas isso não é recalque, é socorro. Deixei ela ganhar para ter coragem de dizer tudo isso, e acho que valeu o preço. Então, Lívia, vê se vira gente, porque você pode me encontrar na rua amanhã e eu vou apanhar, vou apanhar mesmo. Mas eu prefiro ficar com a cara estourada e continuar sendo a pessoa que é honesta, usa da sua inteligência para algo produtivo e sabe que tem pessoas que estarão do seu lado, do que continuar nem bonita nem feia, e ainda vazia. E sei que no fundo você prefere isso também.
Por favor me pague o mais rápido possível.
E vê se para de bancar a macumbeira, todo mundo sabe que você não tem vocação nem pra isso, é espero que o casal que mora com você saiba que você anda acendendo vela não sei pra quem achando que vai foder com a vida de quem foi esperto e fugiu de você enquanto era tempo. Você acha que eu não vi aquela pedra com sal que estava no armário da sala hoje?
E falando naquele casal, eles sabem que você trafica em casa?
Passar bem.
Para você, que tanto gosta de expor os outros, essa aqui é todinha sobre a sua pessoa. Mulher ruim, que não vê a hora de passar a perna nas outras pessoas, acha que comanda alguma coisa no bairro, que tem status na cidade, mas nem como estrela decadente essa piranha chega a ser, nunca foi famosa, nunca teve status. Ela me invejava, porque eu, diferente dela, tinha uma vida, simples e boa. Lívia nunca foi boa. Não consigo me lembrar de um momento da vida dessa mulher que eu pudesse invejar ou orgulhar de ter conhecido tal pessoa vazia e mesquinha. Lívia não tem pudores. Seus amigos, todos sabem que não devem confiar nas palavras de Lívia. Na primeira oportunidade, a amizade vira lucro, e o amigo, carrasco.
Nem bonita a Lívia é, usa roupas clichês com tons pastéis, mas na verdade todas suas roupas já estão velhas e gastas, a cor é de esquecimento e não vintage. Tenta tirar vantagem até de si mesmo, se ver que pode ganha algo com isso, e realmente faz. Não estou brincando, Lívia não confia nem nela mesma, e, boa Atriz como é, consegue se enganar também. Lívia vende seu corpo, poucos homens a compram, nenhum a leva. Lívia perdeu amores, mas na verdade nunca amou. Tento achar algo de Belo nessa mulher, mas creio que a única coisa bela existente nela é a distância que deveremos ter dessa vadia.
E não para por aí, a Lívia mexe com droga da pesada, e todo mundo sabe, e todo mundo usa com ela, e ao pensar que está ganhando lucro sendo traficante, ela se afunda mais no vazio que sempre esteve lá. Quem não a conhece como falsa traficante, a conhece como puta barata. E nada muda ela, porque de certa forma algumas vezes ela ganha. Ela ganhou de mim, mas isso não é recalque, é socorro. Deixei ela ganhar para ter coragem de dizer tudo isso, e acho que valeu o preço. Então, Lívia, vê se vira gente, porque você pode me encontrar na rua amanhã e eu vou apanhar, vou apanhar mesmo. Mas eu prefiro ficar com a cara estourada e continuar sendo a pessoa que é honesta, usa da sua inteligência para algo produtivo e sabe que tem pessoas que estarão do seu lado, do que continuar nem bonita nem feia, e ainda vazia. E sei que no fundo você prefere isso também.
Por favor me pague o mais rápido possível.
E vê se para de bancar a macumbeira, todo mundo sabe que você não tem vocação nem pra isso, é espero que o casal que mora com você saiba que você anda acendendo vela não sei pra quem achando que vai foder com a vida de quem foi esperto e fugiu de você enquanto era tempo. Você acha que eu não vi aquela pedra com sal que estava no armário da sala hoje?
E falando naquele casal, eles sabem que você trafica em casa?
Passar bem.
terça-feira, 21 de fevereiro de 2017
Sadohumilhação
Eu precisava mentir, precisava dizer olhando nos seus olhos o quanto te odiava por tudo que estava ouvindo ontem. Tive que tirar de mim toda a raiva que existia por não ser suficiente e ter que descontar toda minha incapacidade em você, para criar uma situação em que eu pudesse te odiar. Eu tentei encontrar em toda a minha memória recente um momento que eu pudesse exemplificar e dar como argumento de tudo que poderia ser negativo vindo de você, mas nem mesmo contando do passado e toda a minha experiência, nada faria eu voltar atrás ou até mesmo maldizer tudo que havia sentido, e sentia vergonha agora, por ter de esconder e ainda por cima mascarar toda aquela força que eu sabia que você também sentia, e isso me deixava mais aflito, pois sentia vergonha de evidenciar algo óbvio, e daí vinha o início da raiva, por mim.
Eu tive que mentir, pois estava dopado de tanta excitocina que fora soltada no momento, toda vez que mantenho atenção em você. E é estranho, e é novo e eu sei que você também sente, e sinto vergonha. Queria sentir ódio, mas só conseguia sentir por mim, por precisar esconder; por precisar me calar com palavras que eu não queria dizer, por me sentir um tolo por achar que sou imaturo demais para implorar amores que não parecem existir por se achar imaturo, queria também poder dizer que meu amor é adulto a ponto de concordar com tudo que disse e ainda aceitar, mesmo que em silêncio, que faria tudo para estar em algum tipo de contrato, e assim ter certeza de que, por mais que outros encontrem suas forças, seu beijo, o toque forte que usa para mostrar que controla, a ordem suprimida por dominação sexual, eu teria um pouco de você. Mas essa minha obsessão me fez estar ouvindo tudo isso na minha cabeça desde ontem, a sua fixação dúbia me mostra que tudo não passa de uma fase de algum jogo mental construído para amadurecer jovens. Eu não tenho essa idade, não tenho essa força para entender. Eu não quero entender e agora ter de ler todas as conversas e saber que você acordou no meio da noite me procurando na sua casa só machucou mais. Eu não preciso passar por isso, mas eu menti, e eu sei que você sente tudo isso também, e sabe que no fundo é só vergonha. E eu nesse frenesi sadomasoquista, acabo por morrer em seus braços sentindo meu suor confundir com a lágrima consentida, e mantendo em segredo que não valho mais que meia hora na cama e uns sete minutos no banheiro.
Eu tive que mentir, pois estava dopado de tanta excitocina que fora soltada no momento, toda vez que mantenho atenção em você. E é estranho, e é novo e eu sei que você também sente, e sinto vergonha. Queria sentir ódio, mas só conseguia sentir por mim, por precisar esconder; por precisar me calar com palavras que eu não queria dizer, por me sentir um tolo por achar que sou imaturo demais para implorar amores que não parecem existir por se achar imaturo, queria também poder dizer que meu amor é adulto a ponto de concordar com tudo que disse e ainda aceitar, mesmo que em silêncio, que faria tudo para estar em algum tipo de contrato, e assim ter certeza de que, por mais que outros encontrem suas forças, seu beijo, o toque forte que usa para mostrar que controla, a ordem suprimida por dominação sexual, eu teria um pouco de você. Mas essa minha obsessão me fez estar ouvindo tudo isso na minha cabeça desde ontem, a sua fixação dúbia me mostra que tudo não passa de uma fase de algum jogo mental construído para amadurecer jovens. Eu não tenho essa idade, não tenho essa força para entender. Eu não quero entender e agora ter de ler todas as conversas e saber que você acordou no meio da noite me procurando na sua casa só machucou mais. Eu não preciso passar por isso, mas eu menti, e eu sei que você sente tudo isso também, e sabe que no fundo é só vergonha. E eu nesse frenesi sadomasoquista, acabo por morrer em seus braços sentindo meu suor confundir com a lágrima consentida, e mantendo em segredo que não valho mais que meia hora na cama e uns sete minutos no banheiro.
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017
BDSM
Preso à algo líquido, sinto meu corpo ser levado por um caminho que já conheço, e tenho medo. Seus dedos encurralam minhas dúvidas, fazendo com que todas as perguntas que existiam com os outros não apareçam tão facilmente, mas estão ali, escondidas em seus abraços fortes. Você usa da força para proteger aquilo que tu mesmo proporciona, mesmo não sabendo. Eu interpreto um papel mais frágil do que o normal, para fazer-te apaixonar pela fraqueza aparente que tanto procuras. Quer Ser rei, dono, mas livre ao mesmo tempo, temo que seja torturante, anseio pela tortura, atado por seus beijos.
Ofegante, peço por um pouco mais do pouco que me dá. Travo lutas incansável para não procurar-te mais que o necessário. Sinto que o animal que habita em mim sempre cai em suas armadilhas, por mais nítidas que elas sejam. Capaz que, sedento por masoquismo, ele mesmo se prenda em suas garras para ver até onde consegue sangrar sem morrer. Estancado, sorri, regozija, pede mais. E você, caçador, me seduz a cada desprezo. Cada minuto sem resposta aumenta mais meu desejo de ser desejado pelos seus instintos mais sujos. Gosto de despertar aquilo que é mais indecente na suavidade e etiqueta existente nessa sua face de bom moço.
Sei que vive várias vidas, e a maioria de seus personagens são bondosos, mas me sinto importante por mostrar seu vilão todas as noites que passamos juntos. Resistente, aguento calado todas as cenas em que sou álibi de suas artimanhas indecentes, para que você possa entender que sou especial também, e que seu ato não acabe no gozo, e que as cochilhas não fechem comigo sozinho na rua, me perguntando se no dia seguinte haverá uma segunda sessão.
Preso à algo líquido, navego por meio da cama molhada. Preso à algo líquido, me afundo em seus desejos, me iludindo, pois sei que eles não são por mim, e sim por você mesmo. Preso à algo líquido, luto contra à maré, para mostrar que sou merecedor de toda sua grandeza, por mais que pequeno, por mais que não saiba nadar. Preso à algo líquido, afogo, para que você possa me voltar a vida. Preso à algo líquido, anseio por mais água, por mais você nessa imensidão que me transformou, em algo que nunca senti antes.
Ofegante, peço por um pouco mais do pouco que me dá. Travo lutas incansável para não procurar-te mais que o necessário. Sinto que o animal que habita em mim sempre cai em suas armadilhas, por mais nítidas que elas sejam. Capaz que, sedento por masoquismo, ele mesmo se prenda em suas garras para ver até onde consegue sangrar sem morrer. Estancado, sorri, regozija, pede mais. E você, caçador, me seduz a cada desprezo. Cada minuto sem resposta aumenta mais meu desejo de ser desejado pelos seus instintos mais sujos. Gosto de despertar aquilo que é mais indecente na suavidade e etiqueta existente nessa sua face de bom moço.
Sei que vive várias vidas, e a maioria de seus personagens são bondosos, mas me sinto importante por mostrar seu vilão todas as noites que passamos juntos. Resistente, aguento calado todas as cenas em que sou álibi de suas artimanhas indecentes, para que você possa entender que sou especial também, e que seu ato não acabe no gozo, e que as cochilhas não fechem comigo sozinho na rua, me perguntando se no dia seguinte haverá uma segunda sessão.
Preso à algo líquido, navego por meio da cama molhada. Preso à algo líquido, me afundo em seus desejos, me iludindo, pois sei que eles não são por mim, e sim por você mesmo. Preso à algo líquido, luto contra à maré, para mostrar que sou merecedor de toda sua grandeza, por mais que pequeno, por mais que não saiba nadar. Preso à algo líquido, afogo, para que você possa me voltar a vida. Preso à algo líquido, anseio por mais água, por mais você nessa imensidão que me transformou, em algo que nunca senti antes.
sábado, 21 de janeiro de 2017
Decadência
Não tive sanidade o bastante para aguentar seu peso. Meus braços, antes exaustos por não poder mais segurar o que nem sei mais o que era, agora suplicam para que os ossos quebrem, eu perca a força, mas esteja te sentindo. A sensação de fim agora é diferente, pela primeira vez, mesmo sabendo que por alguma razão estamos ligados, fico surpreso por não conseguir esperar, ou, no fundo do meu ser, não acreditar que exista raramente um fim. Seu abraço sugava o pouco de bom que existia dentro da minha alma, e ela clama pelo vício, porque sabe que foi a única vez que teve algum propósito na vida.
Eu não quero escrever para você, não quero escrever sobre você. Estamos ligados à algo que vai além do sangue, e sei que você consegue me sentir, por mais que agora não queira se permitir isso. Também tenho conhecimento de que quando meus braços quiserem ser esmagados na parede por vontade própria, você vai ligar, só que agora não ouço nada. Não quero ter de sofrer mais ainda para ter sua ajuda, por dó.
Você destruiu completamente minha vida, enquanto a sua foi se reconstruindo com minhas ruínas. Você quebrou o ciclo, e sei que para seus amigos você diz que sou uma pessoa louca, ou que não existe beleza em meu corpo, que pressiono coisas que são desnecessárias, mas dentro de você, a necessidade é a mesma.
Brinco que sou ingênuo, mas consigo entender a grandeza existente em mim. Posso não saber explicar tudo que sinto ou que vejo, sendo real ou não, existe algo. Todas as vezes que me perco, encontro em ti algo novo que achava inexplicável. Não carrego mais o tormento de não saber o que é sentir algo verdadeiro, agora me tormento para saber o que é esse algo.
Sinto o refluxo chegar à boca
Travo os dentes para que nada saia do que já mostrei
Engulo o vômito
Sorrio
Tento disfarçar o gosto
Entro no banheiro fétido, cambaleio, ensaio
Olho para ambos e finjo estar bêbado
Decepcionado, continuo o script
Amanhã irei passar como louco
O iludido que não sabe jogar
Mas o que todos não sabem é que meu jogo é novo
E quando mostrar minhas regras
Todos já terão perdido.
Eu não quero escrever para você, não quero escrever sobre você. Estamos ligados à algo que vai além do sangue, e sei que você consegue me sentir, por mais que agora não queira se permitir isso. Também tenho conhecimento de que quando meus braços quiserem ser esmagados na parede por vontade própria, você vai ligar, só que agora não ouço nada. Não quero ter de sofrer mais ainda para ter sua ajuda, por dó.
Você destruiu completamente minha vida, enquanto a sua foi se reconstruindo com minhas ruínas. Você quebrou o ciclo, e sei que para seus amigos você diz que sou uma pessoa louca, ou que não existe beleza em meu corpo, que pressiono coisas que são desnecessárias, mas dentro de você, a necessidade é a mesma.
Brinco que sou ingênuo, mas consigo entender a grandeza existente em mim. Posso não saber explicar tudo que sinto ou que vejo, sendo real ou não, existe algo. Todas as vezes que me perco, encontro em ti algo novo que achava inexplicável. Não carrego mais o tormento de não saber o que é sentir algo verdadeiro, agora me tormento para saber o que é esse algo.
Sinto o refluxo chegar à boca
Travo os dentes para que nada saia do que já mostrei
Engulo o vômito
Sorrio
Tento disfarçar o gosto
Entro no banheiro fétido, cambaleio, ensaio
Olho para ambos e finjo estar bêbado
Decepcionado, continuo o script
Amanhã irei passar como louco
O iludido que não sabe jogar
Mas o que todos não sabem é que meu jogo é novo
E quando mostrar minhas regras
Todos já terão perdido.
