Fora um pedaço de papel que nos separou do paraíso. Caso não fora isso, na primeira vez que abri, não haveria pensado umas duas ou três vezes: fora sonho então? Viro é vejo de bruços a certeza e dúvida, de que eu jogaria todos os fora, para ter aquele é, que estava descansando bem ao lado do medo de não existir aquele breve ser.
Na melodia encontrou sua rima
E aqui, digo: fica triste não
Triste por ter indo e vindo
Tantas e tantas
Triste por levar mais de você consigo
Por tantas e tantas
E saber que há mais tristeza que uma simples canção
De cores felizes
Que se encontram nas suas
Tantas, todas
Correndo por dentro
Tendo no centro
Seu próprio esconderijo
Fomos pequenos como pássaros. Triste por breve vindas, abrindo asas para aquilo que não conheciamos. Voavamos, cada vez mais alto, gaivotas, gaviões, a cento e incontáveis quilômetros, em busca do melhor horizonte. Antes, também fomos pássaros, sempre fomos assim, livres, leves, corajosos arranhando céus, desafiando a infinitude acima de nossas penas e bicos, que mal sabíamos que não havia vantagem alguma ao nosso favor, o horizonte nunca acaba, mas não sabíamos disso, só voávamos, cada vez mais alto, à procura do mais calmo e belo pousar, para então continuar a voar, pois é assim que vivíamos. Antes também fomos pássaros, porém, não nascemos já voando, e, até descobrir que podíamos controlar nossa própria queda, sofremos com o atrito do chão, desfigurando algumas penas, soltando-as como sonhos, a dor é a mesma, mas, encontramos cada vez mais penas e forças para, matematicamente, instintivamente, por nossa vida ser voar, voávamos, voamos, cada vez mais alto, e iludindo a nós mesmos, que o horizonte sempre muda a cada nascer do sol.
Saiba que nessas palavras
O objetivo é bem claro e simples
Branco e Dourado
Eu tentei
No mais honesto tentar
Mostrar que o infinito não é nada
Além da criação de alguém
Que quer envelhecer a todos sem nem saber porque disso
Sem nem saber se somos capazes também
Que o infinito não é nada para quem voa
Atrás de seu próprio horizonte
E, agora, ao olhar em seus olhos
Vejo a imensidão que suas asas podem chegar
E mesmo não tendo nenhuma cartola de mágico
Nem alterando a realidade com meu querer
Saiba que tentarei deixar leve
O peso que o tempo pode trazer
E que ele não fará com que suas asas cansem
E nem mesmo as vezes que irá se perder
E você vai
Eu também
Mas das muitas coisas que desconheço
Uma das poucas certezas que possuo
É da imortalidade das fênix que ainda existem
Ela descansa em seu peito
E grita toda vez por liberdade
Quando encontra a sua luz
A sua