segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

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Fora um pedaço de papel que nos separou do paraíso. Caso não fora isso, na primeira vez que abri, não haveria pensado umas duas ou três vezes: fora sonho então? Viro é vejo de bruços a certeza e dúvida, de que eu jogaria todos os fora, para ter aquele é, que estava descansando bem ao lado do medo de não existir aquele breve ser.

Na melodia encontrou sua rima
E aqui, digo: fica triste não
Triste por ter indo e vindo
Tantas e tantas
Triste por levar mais de você consigo
Por tantas e tantas
E saber que há mais tristeza que uma simples canção
De cores felizes
Que se encontram nas suas
Tantas, todas
Correndo por dentro
Tendo no centro
Seu próprio esconderijo

Fomos pequenos como pássaros. Triste por breve vindas, abrindo asas para aquilo que não conheciamos. Voavamos, cada vez mais alto, gaivotas, gaviões, a cento e incontáveis quilômetros, em busca do melhor horizonte. Antes, também fomos pássaros, sempre fomos assim, livres, leves, corajosos arranhando céus, desafiando a infinitude acima de nossas penas e bicos, que mal sabíamos que não havia vantagem alguma ao nosso favor, o horizonte nunca acaba, mas não sabíamos disso, só voávamos, cada vez mais alto, à procura do mais calmo e belo pousar, para então continuar a voar, pois é assim que vivíamos. Antes também fomos pássaros, porém, não nascemos já voando, e, até descobrir que podíamos controlar nossa própria queda, sofremos com o atrito do chão, desfigurando algumas penas, soltando-as como sonhos, a dor é a mesma, mas, encontramos cada vez mais penas e forças para, matematicamente, instintivamente, por nossa vida ser voar, voávamos, voamos, cada vez mais alto, e iludindo a nós mesmos, que o horizonte sempre muda a cada nascer do sol.

Saiba que nessas palavras
O objetivo é bem claro e simples
Branco e Dourado
Eu tentei
No mais honesto tentar
Mostrar que o infinito não é nada
Além da criação de alguém
Que quer envelhecer a todos sem nem saber porque disso
Sem nem saber se somos capazes também
Que o infinito não é nada para quem voa
Atrás de seu próprio horizonte
E, agora, ao olhar em seus olhos
Vejo a imensidão que suas asas podem chegar
E mesmo não tendo nenhuma cartola de mágico
Nem alterando a realidade com meu querer
Saiba que tentarei deixar leve
O peso que o tempo pode trazer
E que ele não fará com que suas asas cansem
E nem mesmo as vezes que irá se perder
E você vai
Eu também
Mas das muitas coisas que desconheço
Uma das poucas certezas que possuo
É da imortalidade das fênix que ainda existem
Ela descansa em seu peito
E grita toda vez por liberdade
Quando encontra a sua luz
A sua

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quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Eduardo 2.0

Esse texto é pra você. Porque eu acordei hoje com uma vontade muito grande de poder te dizer tudo que ainda ficou dentro de mim, e não soube como começar a falar, então escrevi, escrevi duas ou três frases que logo foram apagadas e seguidas por mais duas ou três frases ensaiando uma conversa que eu não queria ter com você, porque não era verdade. A verdade é que sinto falta de você, falta de toda a história que não tivemos por medo, medo seu ou meu ou de ambos ou a falta de medo o bastante para que houvesse coragem para continuar. A tristeza de ter que escrever mais algumas duas ou três frases para me satisfazer e matar essa vontade que tenho de te dizer algo tão simples. Que fico triste em não saber como poder transformar uma conversa normal em algo que não seja "ah, quanto tempo", "o que faz por aí?", "Já encontrou quantos melhores que eu?". Talvez vários. São muitos os que passarão por sua história e talvez tenham transformado ela em algo que eu não conheça mais. E tenho medo, medo de que depois desses meses eu tenha mudado tanto que você perceba algo de diferente nos meus traços, e agora se apaixone por essa versão 2.0 que é uma farsa. Digo uma farsa, pois tudo me levou ao dilema de dizer-te que sempre quis estar ao seu lado, e agora o mereço por não ser mais aquele que tanto te quis? Blasfêmia, maldito e pouco caso. Não quero ganhar méritos por esforços tidos pela tristeza que passei. E passei demais, por tantas que me cansa pensar agora, e nem devo dizer. Quero parecer aquelas pessoas importantes, que passam por tudo e tiram algum aprendizado dos pesares, e foi o que disse nas últimas vezes. Tá sendo difícil, mas to levando bem. Muita coisa acontecendo, talvez em um café eu te diga. Mas, antes eu não gostava de café, consegue perceber a mudança? Eu sei que você não percebeu, não comentou sobre. Porém, tenho que dizer que isso me alegrou, pois alguma parte de mim alertou que isso mostra que não mudei pra você, então, em algum momento poderia reacender todo o interesse que teve por mim. É tolo, é chulo pensar assim, nem sei se foi tanto interesse, se fosse, não estaria aqui, balbuciando alguns dizeres para esvaziar todo esses dois minutos de coragem que encheram meu peito de vontade de gritar: VOLTA, SÓ AGORA, VOLTA! Com infinitas exclamações só para ser escandaloso, te chamar atenção e fazer olhar para tudo que passei, e mesmo assim, ainda paro na mesma estaca, onde você disse que tínhamos interesses diferentes. Não te julgo, nem te maldigo ou jogo praga, não fora ruim, nem em metade de todo meu iludir. E eu provavelmente tenha amado um ou dois mais que você, e alguns, mais do que você poderia um dia vir me amar, mas é que houve aquela faísca, aquele olhar de caramba, alguém realmente consegue me ver como eu gostaria que me vissem no mundo. E tudo isso se foi, no dia que eu precisei engolir todas as frases para recompor um oi nunca mandado, uma rua trocada para não dar de cara com aquele que era para ser o único, mas foi só mais um.

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quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Prólogo.

Meu coração foi feito de ouro, como os fios do vestido de minha mãe. Como também foi construído meu castelo. Um dia ele foi assim. Um dia ele nasceu assim. Ainda sinto em meu sangue todo o definhar diluído que corrói, com todas as maravilhas trazidas com as maldições. Como foram assim trazidas, como presentes para mim um dia, nesses dias dourados onde era banhados por toda água doce e cristalina que poderia existir na Terra de Noram, como bençãos dadas pelo que existia em todos. Como se o presente e futuro pudessem existir juntos. Como se não houvesse o que esperar, estava tudo ali. Mas a história que contou agora e desde então, a história que existe na minha pele como mancha de todo ouro tirado de um existir que já foi, ela não é feliz, mas grita por estar se tornando, e isso é loucura dizer hoje, por isso temem ser, mas não há conhecem, não conseguem ler em mim, mas nunca fui inteligível. Mas agora o peso de todas as palavras me fazem conta-las. Por isso preciso eterniza-las nessas poucas palavras ditas, e, esperar que você, ao tentar emtende-las ao lê-las, saiba que cada tinta e página gasta no tempo que existi fora para alertá-los de toda beleza e os perigos de existir, existir como ninguém mesmo, existir como você nunca pensou conseguir em uma vida só. Porque eu nunca deixarei, mesmo depois de existir, que alguém possa fazer isso como eu fiz. É perigoso.
Pois aqui, aqui e agora, conto-lhe segredos escritos em mim e primordiais para toda e qualquer existência, essa sendo única. sou eu mesmo pois, mesmo sabendo de onde pude vir e onde ainda estaria, caso existisse toda essa eternidade que nos prometem, não me faz odiar o que me tornei hoje, muito menos tudo que já fui um dia. Porque sei que toda a eternidade que pudesse existir foi roubada. Trago isso em minha pele, queimada com os escritos, borrando todos os socorros. Mas, mesmo assim, ela pode brilhar toda noite se você deixar, e eu deixei. E foi mais fácil do que pudesse um dia sonhar, por mais que eu tenha sonhado e ainda sonho toda noite, cada vez diferente, mas nunca minha.
Ao brilhar, eles puderam me ver também, e me perguntam como um dia pude ser assim, e o que tenho a dizer são essas palavras e a seguintes. Pois o cachoeirar dessas lembranças transbordou essa eternidade no tempo errado. Sou um erro para todos, e para provar preciso descrever os alertas que jamais gostaria, nesse julgamento injusto que a vida se tornou. Contarei como existi, e agora existo, como salvação de todos e de mim mesmo, tantos que pesam mais que a eternidade que um dia senti, e agora peso em contar tentando consertar todo o tempo que me resta.

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